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11/02/2020 15:02 -03 | Atualizado 11/02/2020 15:02 -03

Laudo atesta que porteiro que liberou acusado de matar Marielle não é o mesmo que citou Bolsonaro

Documento assinado por seis peritos da Polícia Civil aponta ainda que não houve adulteração no áudio da portaria entregue às autoridades.

Sergio Moraes / Reuters
Entrada do condomínio Vivendas da Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa. 

Um laudo da Polícia Civil do Rio de Janeiro relativo à investigação da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) concluiu que o porteiro que liberou a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz, um dos acusados do crime, no condomínio de outro acusado, o policial reformado Ronnie Lessa, no dia do assassinato, não foi o porteiro que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro. A informação é do jornal O Globo

Em novembro, uma reportagem do Jornal Nacional mostrou que um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde Lessa e Bolsonaro têm casas, afirmou que o “Seu Jair”, referindo-se a Bolsonaro, foi quem liberou a entrada de Élcio no condomínio para ir à casa de Lessa, de número 65, em 14 de março de 2018. Ele disse também que o ex-PM havia pedido para ir à casa do mandatário, então deputado federal, a 58.

A própria reportagem já afirmava que Bolsonaro estava em Brasília naquele dia.

O porteiro em questão também voltou atrás em um depoimento posterior. “Agora, a perícia no áudio da portaria, iniciada em 13 de janeiro deste ano, confirmou que foi um outro funcionário que interfonou para Lessa”, destaca O Globo. 

Os seis peritos que assinam o documento concluíram que foi Lessa quem liberou a entrada de Élcio.

O laudo também atesta que não houve adulteração do áudio da portaria. 

A análise feita pela Polícia Civil deu-se sobre o material apreendido na portaria pelos agentes logo após o caso vir à tona, no JN. O Ministério Público, destacou o jornal carioca, também já havia apresentado resultados semelhantes em outro laudo. Porém, a gravação havia sido cedida pelo síndico e havia temor de adulteração.

Das 1.938 ligações para o imóvel 65, de Ronnie Lessa, no primeiro trimestre de 2018, foram examinadas 1.317 e apenas 13 são atendidas por ele. 

Logo após a veiculação da reportagem do Jornal Nacional, em novembro, o presidente se manifestou em uma live no Facebook direto da Arábia Saudita, por volta de 3h30 da manhã (horário local), em que chamou a matéria de “patifaria” e atacou a Rede Globo.