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19/06/2020 15:34 -03 | Atualizado 19/06/2020 15:52 -03

Pagamentos em espécie de contas de Flávio e outros 10 pontos da decisão que levou à prisão de Queiroz

Frederick Wassef, chamado de "Anjo" na intimidade pelo clã Bolsonaro, é apontado como responsável por "ocultar" o operador financeiro do esquema de rachadinha.

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Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi preso nesta quinta.

Na decisão do juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau em que ele determinou a prisão de Fabrício Queiroz e sua esposa, Márcia Oliveira de Queiroz, o magistrado destacou que Frederick Wassef, advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, articulava a “ocultação” do operador financeiro do esquema da rachadinha. Queiroz foi preso nesta quinta (15) no sítio de Wassef, em Atibaia.  

O documento traz detalhes das descobertas feitas pelo Ministério Público, inclusive trocas de mensagens entre Queiroz, a esposa, Márcia, e a filha Nathália. Todos trabalharam no gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando ele foi deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). 

O juiz destacou que o Ministério Público do Rio de Janeiro descobriu, por exemplo, que Márcia já havia se manifestado no sentido de se esconder caso sua prisão fosse decretada. Ela ainda não foi encontrada pela polícia e é considerada foragida. 

Nicolau mencionou ainda que Queiroz fez depósitos na conta da esposa de Flávio Bolsonaro e pagou até mesmo a mensalidade das filhas dele, netas do presidente Jair Bolsonaro. 

Descreveu, por exemplo, que essa transferência “mediante depósitos bancários que ocorriam de forma fracionada em valores menores e pagamentos de despesas pessoais” do agora senador e de sua família.

Na conta da esposa de Flávio, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Queiroz teria depositado pelo menos R$ 25 mil em espécie, de acordo com o MP. 

Na decisão, Itabaiana menciona ainda que o ex-assessor também fez pagamentos em espécie de, pelo menos, dois títulos: um de R$ 3.382,27, e outro de R$ 3.560,28, em 1º de outubro, que seriam referentes às mensalidades escolares das filhas de Flávio Bolsonaro.

O MP comparou também extratos bancários de Flávio e da esposa com relação às mensalidades das filhas e verificou pagamento de R$ 251.847,28, mas débito somente de R$ 95.227,36 - diferença de R$ 153.237,65.

O mesmo se deu em relação às despesas com saúde: receberam R$ 117.373,43, mas foram debitados somente R$ 8.965,45 das contas, restando R$ 108.407,98.

Para justificar o pedido de prisão com base no que havia sido demonstrado pelo MP, o juiz ressaltou que, mesmo escondido, Queiroz seguiu atuando. O juiz mencionou que ele manteve influência sobre milícias e políticos. 

Confira 11 pontos da decisão que motivou o pedido de prisão de Queiroz: 

 

1. Adulteração de folhas de ponto

Em 2019, Queiroz atuou na adulteração de folhas de ponto da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e também orientou envolvidos nas investigações do MPRJ a não comparecer para depor. 

2. ‘Complexa rotina de ocultação do paradeiro’ 

O Ministério Público, com base nos dados extraídos do celular da esposa de Fabrício Queiroz, apreendido durante diligência deferida por este juízo, conseguiu descobrir o endereço no qual reside o aludido investigado e verificou que há evidências de uma complexa rotina de ocultação do paradeiro do referido investigado, articulada por uma pessoa com notório poder de mando, sob o codinome “Anjo”. É assim que o clã Bolsonaro se refere a Wassef na intimidade. 

3. R$ 174 mil em espécie

Documentos apreendidos na residência de Márcia Oliveira de Aguiar demonstram que ela recebeu pelo menos R$ 174 mil, em espécie, de origem desconhecida e pagou as despesas do Hospital Israelita Albert Einstein também com dinheiro em espécie. 

4. ‘Anjo’ monitorava Queiroz

Nota-se que parte da rotina de ocultação do paradeiro de Fabrício Queiroz envolvia restrição em sua movimentação e em sua comunicação, sendo monitorado por uma terceira pessoa, que se reportava a um superior hierárquico referido como “Anjo”. 

5. Advogado queria esconder toda a família de Queiroz 

Ao perceber que o julgamento do STF sobre o uso de relatórios do COAF em investigações criminais não lhes seria favorável, “Anjo” manifestou a intenção de esconder toda a família do operador financeiro Fabrício Queiroz em São Paulo. 

6. Mulher de Queiroz queria fugir

Márcia Oliveira de Aguiar, inclusive, manifestou o desejo de se esconder caso fosse a “prisão decretada”. 

7. Queiroz dava ordens

Márcia Aguiar chegou a comparar Fabrício Queiroz a um bandido “que tá preso dando ordens aqui fora, resolvendo tudo”, e Nathália Queiroz previu que seu pai seria repreendido pelos advogados de Flávio Bolsonaro. 

8. Depósitos fracionados em espécie na conta de Flávio

Pelo menos um depósito em dinheiro foi realizado por Fabrício Queiroz em favor da esposa do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, dezenas de depósitos fracionados foram feitos em espécie na conta do parlamentar e o pagamento de plano de saúde e mensalidades escolares das filhas do casal pelo operador financeiro. 

9. ‘Mesada’

A esposa de Fabrício Queiroz e sua vizinha “atuavam autorizando o uso de seus respectivos dados qualitativos e contas bancárias para a organização criminosa providenciar o desvio dos recursos orçamentários da ALERJ travestidos de pagamentos de salários às servidoras fantasmas’, mediante compromisso de compromisso de devolverem parte dos proventos para integrantes do grupo criminoso em troca da retenção de parcela menor, como uma espécie de ‘mesada’ pela participação na empreitada delitiva”. 

10. Influência entre milicianos do Rio

O juiz fala que o Ministério Público comprovou que Queiroz, embora em Atibaia, seguiu exercendo influência entre milicianos do Rio e política, “o que demonstra que ele poderia ameaçar testemunhas e outros investigados e obstaculizar a apuração dos fatos, perturbando, assim, o desenvolvimento da investigação e de futura ação penal”.

11. Flávio Bolsonaro como líder da organização criminosa

Concluiu o Ministério Público que as movimentações bancárias atípicas e o contexto temporal nas quais foram realizadas resultam em evidências contundentes da função exercida por Fabrício José Carlos de Queiroz como operador financeiro na divisão de tarefas da organização criminosa investigada, tanto na arrecadação dos valores desviados da Alerj, quanto na transferência de parte do produto dos crimes de peculato ao patrimônio familiar do líder do grupo, o então deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro.