COMPORTAMENTO
27/08/2019 17:49 -03

Esses atletas provam que esporte é para todas as idades

Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação, decidiu aos 24 anos que queria mais do esporte

Divulgação
Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação

A maioria dos atletas campeões começa a carreira ainda na infância. Mas, cada vez mais surgem atletas que quebram a barreira da idade e provam que, com garra e muito treino, é possível se tornar competitivo mesmo começando mais tarde.

Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação, é um exemplo bem-acabado disso. Ela venceu a deficiência visual causada por uma toxoplasmose congênita e se tornou uma atleta campeã. Aos 24 anos, porém, a judoca, que não enxerga com o olho esquerdo e tem apenas a visão parcial do direito, decidiu que queria mais.

“Eu nadei por 10 anos, atingi resultados satisfatórios e uma carreira expressiva. Mas chegou um momento onde precisava buscar novos desafios”, ela conta. Com o apoio da equipe de profissionais do Instituto Reação, como o sensei Geraldo Bernardes, Núbea atingiu a quarta colocação no ranking mundial de judô paralímpico em apenas quatro anos.

Hoje ela se orgulha por ser tricampeã no Grand Prix de Judô Para Cegos, no Aberto da Alemanha e no Campeonato das Américas de Judô no Canadá, além de bicampeã brasileira. Mas, mesmo sendo bem-sucedida, Maria Núbea garante que encarar uma mudança de carreira tão intensa não foi fácil.

A escolha pelo judô se deu levando em conta as características físicas da atleta para facilitar a adaptação, mas ainda assim houve um longo processo. “O judô é um esporte de contato com muitas quedas. Isso me causou muitas dificuldades que não existiram se tivesse começado mais cedo”, relembra.

A campeã paralímpica não é a única integrante do Reação a servir de exemplo para quem deseja ingressar no esporte independente da idade. Além das 1.600 crianças atendidas em sete polos no Rio de Janeiro e um em Cuiabá, que está sendo construído e estruturado com apoio da BV, o Reação também é a casa de campeões como Rafaela Silva - a única mulher brasileira a ter o ouro olímpico, mundial e pan-americano - além de David Moura e o próprio Flávio Canto, idealizador do projeto.

Tanto David quanto Flávio, que são respectivamente medalhistas pan-americano e olímpico, começaram a carreira já no final da adolescência. Embora David praticasse com o pai, o campeão Fenelon Müller, desde a infância, foi só aos 20 anos que ganhou os tatames pelo mundo. Flávio, por sua vez, entrou para o mundo do judô depois de muito tempo praticando o surf. Ainda assim, conquistou o bronze nos Jogos de Atenas, em 2004 - sem contar no belo legado social que constrói com o Reação.

Maria Núbea conta que trajetórias como as de seus colegas a inspiram e a ajudam a ir mais longe. Ela acredita que “seus sonhos têm o tamanho que você escolhe” e está preparada para buscar uma vaga para os jogos paralímpicos de Tóquio. Orgulhosa de fazer parte do time Reação, ela comenta a importância desse suporte para o judô brasileiro:

“O Instituto Reação é hoje uma referência do judô brasileiro, status alcançado com muito trabalho e o apoio importante de parceiros como a BV, que possibilitam o funcionamento desse projeto social que fomenta o que há de melhor em nossos jovens,” diz.

Além do judô, a BV também apoia projetos de outros esportes que abrem as portas para a prática da atividade física em qualquer idade, como o Instituto Serginho 10, do bicampeão olímpico do vôlei Serginho Escadinha, e o IEE (Instituto Esporte & Educação). Nos projetos de educação esportiva e atividades em áreas públicas desenvolvidos pelo IEE em parceria com a BV, prevalece ideia de que ter acesso ao esporte faz bem para qualquer pessoa, independente de condições físicas. “Acreditamos que o esporte tem que ser para todos”, conta sua fundadora, a lenda do vôlei Ana Moser.