Comportamento

Esses atletas provam que esporte é para todas as idades

Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação, decidiu aos 24 anos que queria mais do esporte
Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação
Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação

A maioria dos atletas campeões começa a carreira ainda na infância. Mas, cada vez mais surgem atletas que quebram a barreira da idade e provam que, com garra e muito treino, é possível se tornar competitivo mesmo começando mais tarde.

Maria Núbea Lins, judoca do Instituto Reação, é um exemplo bem-acabado disso. Ela venceu a deficiência visual causada por uma toxoplasmose congênita e se tornou uma atleta campeã. Aos 24 anos, porém, a judoca, que não enxerga com o olho esquerdo e tem apenas a visão parcial do direito, decidiu que queria mais.

“Eu nadei por 10 anos, atingi resultados satisfatórios e uma carreira expressiva. Mas chegou um momento onde precisava buscar novos desafios”, ela conta. Com o apoio da equipe de profissionais do Instituto Reação, como o sensei Geraldo Bernardes, Núbea atingiu a quarta colocação no ranking mundial de judô paralímpico em apenas quatro anos.

Hoje ela se orgulha por ser tricampeã no Grand Prix de Judô Para Cegos, no Aberto da Alemanha e no Campeonato das Américas de Judô no Canadá, além de bicampeã brasileira. Mas, mesmo sendo bem-sucedida, Maria Núbea garante que encarar uma mudança de carreira tão intensa não foi fácil.

A escolha pelo judô se deu levando em conta as características físicas da atleta para facilitar a adaptação, mas ainda assim houve um longo processo. “O judô é um esporte de contato com muitas quedas. Isso me causou muitas dificuldades que não existiram se tivesse começado mais cedo”, relembra.

A campeã paralímpica não é a única integrante do Reação a servir de exemplo para quem deseja ingressar no esporte independente da idade. Além das 1.600 crianças atendidas em sete polos no Rio de Janeiro e um em Cuiabá, que está sendo construído e estruturado com apoio da BV, o Reação também é a casa de campeões como Rafaela Silva - a única mulher brasileira a ter o ouro olímpico, mundial e pan-americano - além de David Moura e o próprio Flávio Canto, idealizador do projeto.

Tanto David quanto Flávio, que são respectivamente medalhistas pan-americano e olímpico, começaram a carreira já no final da adolescência. Embora David praticasse com o pai, o campeão Fenelon Müller, desde a infância, foi só aos 20 anos que ganhou os tatames pelo mundo. Flávio, por sua vez, entrou para o mundo do judô depois de muito tempo praticando o surf. Ainda assim, conquistou o bronze nos Jogos de Atenas, em 2004 - sem contar no belo legado social que constrói com o Reação.

Maria Núbea conta que trajetórias como as de seus colegas a inspiram e a ajudam a ir mais longe. Ela acredita que “seus sonhos têm o tamanho que você escolhe” e está preparada para buscar uma vaga para os jogos paralímpicos de Tóquio. Orgulhosa de fazer parte do time Reação, ela comenta a importância desse suporte para o judô brasileiro:

“O Instituto Reação é hoje uma referência do judô brasileiro, status alcançado com muito trabalho e o apoio importante de parceiros como a BV, que possibilitam o funcionamento desse projeto social que fomenta o que há de melhor em nossos jovens,” diz.

Além do judô, a BV também apoia projetos de outros esportes que abrem as portas para a prática da atividade física em qualquer idade, como o Instituto Serginho 10, do bicampeão olímpico do vôlei Serginho Escadinha, e o IEE (Instituto Esporte & Educação). Nos projetos de educação esportiva e atividades em áreas públicas desenvolvidos pelo IEE em parceria com a BV, prevalece ideia de que ter acesso ao esporte faz bem para qualquer pessoa, independente de condições físicas. “Acreditamos que o esporte tem que ser para todos”, conta sua fundadora, a lenda do vôlei Ana Moser.