OPINIÃO
08/01/2020 06:00 -03 | Atualizado 08/01/2020 16:56 -03

As causas que os brasileiros defenderão em 2020

Meio ambiente, educação e ativismo animal são bandeiras prioritárias neste ano.

Elineudo Meira/Fotos Públicas
Brasileiros mobilizam-se nas redes e vão para as ruas.

O ano de 2019 foi marcado por intensas e numerosas mobilizações não só no Brasil, mas no mundo todo. Uma greve global pelo clima, por exemplo, parou cidades em cerca de 150 países numa única sexta-feira (20 de setembro). Impossível não lembrar também do Chile, que desencadeou em outubro sua maior manifestação de rua desde o fim da ditadura, em 1990. No Brasil algumas causas que mais engajaram a população no ano que terminou e que abriram 2020 com força total estão ligadas ao meio ambiente, à educação e ao ativismo animal.   

Além dos protestos de rua, a grandeza dessas mobilizações pode ser medida e demonstrada por números que revelam a quantidade de pessoas envolvidas em campanhas relacionadas a esses assuntos. Dados da plataforma de petições online Change.org mostram, por exemplo, que as questões ambientais, educacionais e voltadas aos direitos dos animais estão entre as que reuniram o maior volume de apoiadores em 2019, ultrapassando a marca dos milhões. Não por acaso foram as que viraram o ano junto com os brasileiros. 

Mobilizações em prol da Amazônia bateram recorde mundial de assinaturas na Change.org, acumulando 5,8 milhões de apoiadores numa única petição contra o desmatamento e 5 milhões em outra pelo fim das queimadas. Já na área da educação, um manifesto em defesa das universidades públicas passou o total de 1,6 milhão de apoiadores, e uma mobilização que pedia recursos ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) tornou-se vitoriosa com pouco mais de 1 milhão de engajados em 2019. 

Depois de se mobilizarem pela Amazônia, os brasileiros entraram em 2020 sensibilizados pelo meio ambiente devido aos incêndios na Austrália. Na primeira semana do ano já recorreram à plataforma de petições online para pedir apoio ao país que, diferentemente do Brasil, sofre com incêndios gerados principalmente por causas naturais e intensificados devido a uma combinação de longos períodos de seca com temperaturas cada vez mais altas. 

Em chamas desde setembro do ano passado, a Austrália já alcança níveis dramáticos de queimadas florestais, que até agora ocasionaram a morte de mais de 20 pessoas, a destruição de centenas de casas e atingiram uma área de cerca de 6,3 milhões de hectares. Ao HuffPost US, um ecologista da Universidade de Sydney estimou que passa de 1 bilhão o número de animais mortos. Metade da população saudável de coalas foi dizimada. 

Nesta terça-feira (7), também chegou à versão brasileira da Change.org um abaixo-assinado lançado por um australiano pedindo que os coalas sejam declarados como espécie ameaçada de extinção. Cenas de coalas feridos circulam pela internet, chamando a atenção para o fato de que, além de muitos animais terem sido mortos, outros tantos estão feridos e perderam parte de seu hábitat natural. A campanha, que já começou a receber assinaturas de brasileiros, soma até o momento mais de 209 mil apoiadores.

O crescimento do ativismo animal

Divulgação/Polícia Civil do Paraná
Ativistas mobilizam-se por punição a veterinário envolvido em rinha de pitbulls.

Além da questão climática, outra bandeira que o brasileiro abraçou fortemente em 2019 e carregou consigo para este novo ano foi o ativismo animal. Abaixo-assinados hospedados na Change.org reuniram celebridades, pessoas públicas e cidadãos comuns numa mobilização gigantesca contra a liberação da caça de animais silvestres no Brasil, além de milhares em torno de uma campanha pelo fim da exportação de animais vivos para abate em outros países. 

Mas, no ativismo animal, o que marcou mesmo a passagem de ano foi a lamentável brutalidade à qual cães da raça pitbull foram submetidos em uma “rinha” numa chácara de Mairiporã (SP). Em dezembro, a Polícia Civil do Paraná chegou ao local e resgatou 19 cachorros, repletos de ferimentos, que eram colocados por apostadores para lutar entre si.   

Revoltadas com a atrocidade, quase 360 mil pessoas se juntaram a uma campanha, aberta na Change.org, pedindo que o veterinário envolvido na rinha tenha seu registro cassado no Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Amazonas (CRMV-AM). A causa reuniu mais de 41 mil pessoas somente nesta primeira semana de 2020 e não para de crescer, sendo um dos abaixo-assinados com o maior tráfego dentro da plataforma nos últimos dias. 

Em uma nota publicada em seu site, o CRMV-AM informou que “lamenta profundamente a suspeita de participação de um médico-veterinário” na rinha e que, por meio de seus departamentos competentes, tomará as medidas necessárias para a apuração dos fatos e as providências cabíveis relacionadas à ética profissional. 

Educação no radar

Roberto Parizotti/Fotos Públicas
Ato pela educação realizado na Avenida Paulista, em São Paulo.

A educação foi também uma das causas que, certamente, mais permaneceram nos holofotes da imprensa e no radar dos brasileiros em 2019. Uma série de medidas geraram preocupação quanto ao futuro de universidades, institutos federais e agências de pesquisas, fazendo que o brasileiro atravessasse o ano e iniciasse 2020 mobilizado pela educação.

Declarações sobre modificar os livros de História e filmar alunos cantando o hino nacional levaram à troca de direção do Ministério da Educação em apenas três meses do governo Bolsonaro. Depois disso, anúncios de cortes no orçamento da área fizeram o número de campanhas sobre a pauta da educação se multiplicarem na plataforma de mobilizações online, reunindo milhões de professores, estudantes e pesquisadores.

No apagar das luzes de 2019 o presidente Jair Bolsonaro publicou uma medida provisória que provocou fortes reações no meio. A MP exige uma lista tríplice para a eleição de reitores de universidades federais e estipula o peso do voto para alunos, funcionários e professores. Críticos da medida dizem que ela interfere na autonomia universitária. 

Em meio aos debates, a pauta da educação terminou o ano passado cercada por um viés ideológico e iniciou este com mais uma declaração polêmica do presidente para aquecer as mobilizações do novo ano: “Os livros hoje em dia, como regra, é (sic) um amontoado. Muita coisa escrita, tem que suavizar aquilo”, disse Bolsonaro na última sexta-feira (3).  

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.