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24/03/2020 17:30 -03 | Atualizado 25/03/2020 09:14 -03

Quem é Atila Iamarino e por que você deveria assisti-lo

Com base em dados de pesquisas internacionais, cientista mostrou por que os EUA e a Inglaterra mudaram de estratégia no combate ao coronavírus.

Reprodução/Youtube
Atila Iamarino é biólogo, doutor em microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo), com pós-doutorado pela USP e pela Yale University.

“Você viu a live do Átila? Veja. Devastador”. Foi assim que eu fiquei sabendo que um vídeo do YouTube ia pautar minha noite de sexta-feira (20). Em 1 hora e 16 minutos — vídeo que parece longo —, o cientista Atila Iamarino explica didaticamente por que países como Estados Unidos e Inglaterra mudaram de estratégia no combate ao coronavírus.

Com auxílio das divulgadoras científicas Camila Laranjeira e Vivi Mota, do @canalpeixebabel, Atila teve acesso ao estudo Impact of non-pharmaceutical interventions (NPIs) to reduce COVID19 mortality and healthcare demand, de 16 de março. É este o material que dá base para ele fazer a estimativa de um milhão de mortes no Brasil.

E como ele mesmo enfatiza na transmissão, isso só ocorrerá, caso nada seja feito. O que não é a realidade. Mesmo o que haja críticas, o Brasil tem tomado medidas de combate à disseminação do vírus, o que o próprio cientista sinaliza. O número assustou. E o vídeo se tornou um dos assuntos mais comentados do fim de semana. Para se ter ideia, enquanto escrevo este texto, o vídeo já foi visto mais de 4,6 milhões de vezes.

Logo no início, ele faz um alerta: “Se você está muito ansioso, muito preocupada com o que está acontecendo, recomendo pular essa live. (…) Vai ser uma conversa com números e uma conversa que não vai ser muito legal”.

Na live, ele mostra dados e explica que os EUA e a Inglaterra, que vinham minimizando os esforços, mudaram de ideia quando tiveram acesso a documentos que mostram o impacto da doença covid-19 no sistema de saúde. “O estudo concluiu que 80% dos ingleses ou americanos poderiam pegar o coronavírus se nada fosse feito para conter o vírus. E de repente, a mortalidade de 3%, 2%, que parece pequena, fica gigante. Ainda assumiram uma mortalidade mais baixa do que está sendo vista no mundo”, diz ele. E o resultado é esse gráfico abaixo:

reprodução/YouTube

O gráfico mostra o que acontece caso nada seja feito, caso haja isolamento de casos, fechamento de escolas e universidades e a capacidade do serviço público. 

A partir desses dados, ele reforça sua principal mensagem: Fique em casa!

Atila explica ainda que a principal diferença do novo vírus para a gripe é o fato de ela não poder infectar grande parte das pessoas porque algumas já tem alguma imunidade à gripe. “Potencial de pessoas infectadas com gripe é relativamente baixo todo ano. O potencial de pessoas infectáveis cm o coronavírus é de 100% da população”, alerta.

Aqui a íntegra do vídeo:

Mas quem é Atila Iamarino? Por que prestar atenção no que ele fala?

Atila Iamarino é biólogo, doutor em microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo), com pós-doutorado pela USP e pela Yale University. Veja aqui o currículo lattes dele.

Iamarino estudou disseminação de vírus, como o do Ebola, HIV e o Zika. É famoso nas redes sociais também por comandar o canal Nerdologia, com 2,7 milhões de inscritos no YouTube.

Atila é ainda fundador do ScienceBlogs, rede de cientistas que trabalham para tornar o conhecimento científico mais próximo do cotidiano brasileiro. Em sua apresentação no TEDxUSP, Educação para o Futuro, o biólogo conta um pouco sobre como começou a falar sobre ciência na internet. No vídeo de 2017, ele também dá uma lição de esperança aos estudantes, que flerta com a realidade que vivemos hoje.

“Para quem está confuso na graduação, chateando com o que está fazendo: Fica tranquilo. Não sei o que você vai fazer agra, mas com o que você vai trabalhar daqui para a dez anos, provavelmente não foi nem inventado”, diz.

Divulgadores científicos

Também são divulgadores científicos personalidades da área, como o biólogo Hugo Fernandes-Ferreira, que é doutor em Zoologia, professor universitário e apresentador de TV, o paleontólogo Pirulla, que conta com 872 mil inscritos em seu canal no YouTube, e o biólogo Estevão Slow (com mais de 155 mil inscritos em seu canal no YouTube). 

Em 2018, o HuffPost Brasil, junto com integrantes do Science Vlogs, fez na campanha presidencial um debate com os candidatos à Presidência sobre as propostas para a área de Ciência e Tecnologia.