OPINIÃO
18/06/2020 09:42 -03 | Atualizado 18/06/2020 09:42 -03

No imóvel de um amigo em Atibaia

Atibaia voltou ao noticiário. Desta vez, pela prisão de Queiroz na casa do advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, onde ele estaria há pelo menos um ano.

Reprodução/Facebook
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, preso nesta quinta-feira.

Na manhã desta quinta, o País acordou com a notícia da prisão de Fabrício Queiroz, o policial militar reformado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro que é peça-chave na investigação de um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo o gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio.

Queiroz, que é amigo da família Bolsonaro desde a década de 1980, foi preso em uma casa em Atibaia, no interior de São Paulo. O imóvel é de Frederick Wassef, advogado – pasmem – do presidente Jair Bolsonaro no processo sobre a facada e de Flávio, justamente no caso da suposta rachadinha.

Em setembro, em entrevista à repórter Andréia Sadi, na GloboNews, Wassef disse que não sabia onde estava Queiroz porque “não era advogado dele”.

O delegado da Polícia Civil de São Paulo Osvaldo Nico Gonçalves, no entanto, afirmou à GloboNews na manhã desta quinta que o ex-assessor de Flávio estava na casa do advogado havia cerca de um ano – a informação teria sido passada pelo caseiro de Wassef no momento da prisão.

A prisão de Queiroz no imóvel do advogado dos Bolsonaro em Atibaia com certeza deixa tudo mais complicado para a família do presidente, que tentava se distanciar do ex-assessor. Wassef, por sua vez, estava ontem no Planalto, na posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Atibaia há muito já era notícia no Brasil, mas pelo sítio frequentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua família – segundo o jornal O Globo, o petista teria ido 111 vezes ao local entre 2012 e 2016 e após deixar a Presidência, teria enviado seus pertences para lá. Também havia no local pedalinhos com os nomes dos netos de Lula.

A propriedade estava formalmente no nome do empresário Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo de Lula e um dos fundadores do PT, mas a Justiça entendeu que o ex-presidente recebeu vantagens indevidas das empreiteiras Odebrecht e OAS por meio de reforma de mais de R$ 1 milhão no sítio.

O dinheiro foi descontado de propinas devidas pelas empresas em troca de favorecimento ilícito em contratos com a Petrobras, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), acolhida pela juíza Gabriela Hardt, em primeira instância. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve, em maio, a condenação a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão – a maior do petista na Lava Jato – pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Atibaia definitivamente voltou aos jornais e pode, mais uma vez, ser determinante em um caso de importante repercussão política. E é exatamente por isso que o município de pouco mais de 100 mil habitantes não escapará novamente do Fla-Flu político que insiste em cegar o País.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost