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07/09/2019 03:00 -03

Pecuarista culpa pequeno produtor por queimadas na Amazônia e critica debate 'ideológico'

Vice-presidente da CNA, Assuero Veronez afirma que é “injusto” e “indevido” o agronegócio ser apontado como vilão.

Reprodução/YouTube
Assuero Veronez é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, considera que o atual debate sobre queimadas na Amazônia é ideológico e partidário. Ele considera a comoção mundial em torno do desmatamento na Floresta Amazônica como uma campanha de ambientalistas “de esquerda” associados à grande mídia. Os dois grupos, no entender de Veronez, perderam dinheiro na gestão de Bolsonaro.

“É óbvio que há uma politização do tema. O que vem acontecendo hoje na Amazônia [incêndios] não é diferente do que vem acontecendo há 40 anos, há 50 anos. Todos os anos, nesta época, a mudança do clima, a falta de chuva, calor, seca, baixa umidade relativa do ar fazem surgir focos de calor que criam esse problema [das queimadas]”, argumenta Veronez, que também é vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para Veronez, grandes produtores agrícolas estão comprometidos com a preservação da vegetação natural e o combate ao desmatamento. O pecuarista diz que o acesso a tecnologias mais sofisticadas por parte dos fazendeiros praticamente dispensa o uso de fogo.

“O que mais fazemos [médios e grandes produtores de grãos e de carne] nesta época é tentar nos proteger de fogo”, explica Veronez.“Fogo em uma fazenda hoje você está perdido porque você vai destruir a pastagem que é o alimento do gado. Então, ninguém quer fogo.”

Nós [agronegócio] aprovamos um Código Florestal, que é extremamente rígido para nós mesmos. É a lei mais severa do mundo em termos de meio ambiente.

Por isso, Veronez responsabiliza o pequeno produtor “descapitalizado e sem acesso a tecnologias mais caras” pelas queimadas. E diz que é “injusto” e “indevido” que pecuaristas e proprietários de terra estejam sendo apontados como vilões.

“Pode haver, eventualmente, algum fazendeiro que queira queimar alguma capoeira; ele também se inclui no rol das pessoas irresponsáveis porque queimar nesta época do ano, num clima destes, é querer provocar um incêndio. Não aprovamos essa atitude de ninguém”, ressalta.

O Código Florestal Brasileiro, aprovado em dezembro de 2012 e cujo relator foi o então senador Jorge Viana (PT/AC), é lembrado por Assuero Veronez como uma peça construída por vários setores, incluindo os produtores e representantes do agronegócio.

“Nós aprovamos um Código Florestal, que é extremamente rígido para nós mesmos. É a lei mais severa do mundo em termos de meio ambiente. E fomos nós que ajudamos a aprovar”, defende.

Ex-senador e ex-governador do Acre, Viana falou recentemente com o HuffPost sobre as queimadas na Amazônia. “Se desmatar, o consumidor vai reagir”, disse. Ele avaliou que a crise diplomática na qual o governo Bolsonaro se envolveu, com a escalada da tensão com a França, acendeu sinal amarelo em Brasília. “Mais importante e mais rápido do que qualquer boicote formal por parte de qualquer governo é a reação do consumidor. E isso pode ser um caos para nossa economia”, disse. 

Por sua vez, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre diz não acreditar que os países europeus vão boicotar a carne brasileira. Ele faz um prognóstico de que pode haver uma ou outra retaliação pontual por países específicos, mas nada duradouro.

“Não acho que terá grande repercussão no agronegócio brasileiro, não. O mundo precisa da comida brasileira. Esse é o fato”, conclui.

Em 2012, Assuero Veronez foi preso pela Polícia Federal acusado de participar de rede de exploração sexual de mulheres e menores. 

No ano seguinte, ele foi condenado pela Vara da Infância e Juventude de Rio Branco a oito anos de prisão em regime semi-aberto. Ele não falou sobre o caso ao HuffPost.