OPINIÃO
12/07/2019 10:02 -03 | Atualizado 12/07/2019 10:02 -03

É hora de dar um basta em planejamento urbano que cultua carros e prédios em detrimento de pessoas

Arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl afirma, em entrevista ao UM BRASIL, que a longevidade do modernismo urbano se deve às forças de mercado.

Planejamento urbano que beneficia a cultura do automóvel em vez de promover praticidade e comodidade aos habitantes prejudica o cotidiano dos cidadãos. Em entrevista ao UM BRASIL, o arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl critica esse projeto arquitetônico que dominou a construção das grandes cidades do mundo no século 20.

Segundo ele, a arquitetura dominante na construção de metrópoles pelo mundo no século passado não levou em conta a vida social e a saúde das pessoas, privilegiando apenas as formas dos prédios. Esse tipo de pensamento ergueu edifícios distantes uns dos outros.

“Brasília, por exemplo, é incrível vista do avião, mas, lá embaixo, onde as pessoas estão, ao nível do olho, ela não é nada bonita. Os construtores não pensaram nas pessoas nas ruas, nas pessoas entre os prédios. Apenas fizeram os prédios. E, quando sobrou um espaço entre eles, chamaram alguns paisagistas para fazer trechos de jardinagem. Demoramos 50 anos para provar realmente que esse tipo de planejamento urbano não é humanístico”, explica.

Gehl acredita que a longevidade do modernismo urbano se deve às forças de mercado, principalmente à indústria automobilística e à construção civil, em detrimento da saúde dos cidadãos e do cuidado com o meio ambiente.

“Essa ideia velha de planejamento urbano também foi apoiada pelo automobilismo, pelos carros que devem levar as pessoas de um lugar a outro. Isso significa que, durante 50 anos, fizemos um planejamento urbano que convida as pessoas a ficar sentadas o dia todo. E agora sabemos que isso é um grande problema para a saúde. Podemos fazer novas cidades muito melhores do que Brasília ou do que se vê em São Paulo”, destaca Gehl.

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