LGBT
16/03/2020 16:37 -03

Nos EUA, apps de namoro LGBT recomendam 'encontro apenas online' por coronavírus

“Eu suspeito que veremos aumentos no tráfego, assim como nos meses de inverno”, disse Sean Howell, co-fundador do Hornet.

Devido à pandemia do coronavírus, decretada na semana passada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), os principais sites e aplicativos de namoro direcionados à população LGBT estão alertando usuários a tomar precauções.

Segundo as plataformas, é esperado tráfego maior de usuários nos próximos dias devido às políticas de isolamento social pelo mundo. Porém, a recomendação é que a conversa, por enquanto, siga apenas online. 

O Hornet, que possui 30 milhões de usuários regulares em todo o mundo, emitiu uma nota sobre como evitar a contração do vírus que infectou mais de 130.000 pessoas em todo o mundo e causou quase 5.000 mortes.

“Compartilhamos uma variedade de artigos de notícias nos últimos dias dentro do aplicativo, além de enviar mensagens específicas aos usuários”, disse Sean Howell, co-fundador do Hornet, à Thomson Reuters Foundation por email.

Parte do conselho de Hornet é manter uma rede de convívio social, “mas remotamente”.

Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.

A preocupação de ativistas LGBTs pelo mundo

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Grupos LGBT + estão cancelando e adiando uma série de eventos devido à disseminação do coronavírus.

Mais de 100 grupos de defesa dos direitos LGBT norte-americanos pediram às autoridades de saúde pública que abordem a vulnerabilidade de homens gays e pessoas trans perante o coronavírus. Eles pontuam que parte desta população pode ter seu sistemas imunológico enfraquecido devido às taxas mais altas de HIV e de câncer ― o que pode colocá-la em risco.

Grupos LGBT + estão cancelando e adiando uma série de eventos devido à disseminação do coronavírus, incluindo a parada anual do Orgulho LGBT de Los Angeles. O evento, que geralmente acontece em março e reúne cerca de 200 mil pessoas, foi adiado na última quinta-feira. Ainda não há nova data.

Outros grandes eventos afetados incluem a premiação anual da organização-não governamental GLAAD, batizada de “Media Awards”, que premia órgãos e representantes tanto da imprensa, quanto do entretenimento. O evento, que seria realizado nesta semana em Nova York, foi cancelado. 

O site de namoro gay Scruff, que tem mais de 15 milhões de membros em todo o mundo, disse que começou a compartilhar com os usuários dicas da OMS de como combater o coronavírus “em pedaços de 100.000 até que todos os usuários sejam alertados”.

Protegendo usuários

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“Eu suspeito que veremos aumentos no tráfego, assim como nos meses de inverno”, disse Sean Howell, do Hornet. 

Um porta-voz do Grindr, aplicativo de namoro gay mais conhecido do mundo, que acaba de lançar o “Grindr Lite” destinado a países emergentes, onde o sexo gay pode ser um estigma ou até considerado um crime, disse à Reuters que  enviou um aviso aos usuários na última quinta-feira (12).

“Nós publicamos as diretrizes da OMS no aplicativo Grindr para ajudar os usuários a tomarem as melhores decisões e estarem informados sobre os cuidados no momento de interagir com as pessoas”, disse o porta-voz.

“Ela” e “Fem”, outros aplicativos voltados para mulheres, não responderam aos pedidos de comentários da Reuters.

Já o Tinder, que tem quase 6 milhões de assinantes, divulgou uma nota em que afirma que ”é um ótimo lugar para conhecer pessoas”, porém “proteger-se do coronavírus é mais importante”.

Os aplicativos de namoro, no entanto, podem revelar-se uma tábua de salvação para a saúde mental da comunidade LGBT, à medida em que o coronavírus exige cuidado e isolamento em alguns locais pelo mundo.

“Eu suspeito que veremos aumentos no tráfego, assim como nos meses de inverno”, disse Sean Howell, do Hornet.

“Os aplicativos de relacionamento e as redes sociais costumam ser espaços para conhecer pessoas, mas também auxiliam na manutenção de algum tipo de contato e até acolhimento quando não conseguimos fazer isso pessoalmente, como é o caso de agora.”