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06/05/2019 20:46 -03 | Atualizado 07/05/2019 21:01 -03

Militar assume como presidente da Apex e destitui aliados de chanceler

Demissão de diretores que foram pivô da exoneração do presidente anterior deve acirrar disputa entre militares e olavistas no governo.

Reprodução/ Twitter
Letícia Catelani, diretora de Negócios da Apex destituída nesta segunda-feira (6), é ligada ao chanceler Ernesto Araújo.

Os diretores da Apex (Agência de Promoção à Exportação) que foram pivôs da demissão do último presidente da instituição foram destituídos de suas funções nesta segunda-feira (6), dia em que um militar foi o terceiro a assumir a presidência da Apex desde o início do governo Bolsonaro.

Marcio Coimbra, diretor de Gestão Corporativa, que havia pedido demissão no dia 24, e Letícia Catelani, diretora de Negócios, ligados ao chanceler Ernesto Araújo e ao filho do presidente Eduardo Bolsonaro foram retirados de seus cargos pelo novo presidente da Apex, Sérgio Segovia, contra-almirante na Marinha.

A decisão promete acirrar ainda mais a disputa entre olavistas e militares no governo, num momento em que o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, é alvo de ataques do primeiro grupo. Segovia é próximo a Santos Cruz.

No início de abril, o embaixador Mário Vilalva, antecessor de Segovia na presidência da Apex foi exonerado pelo chanceler um dia depois de acusar o ministro de “deslealdade”, em entrevista à Folha de S. Paulo. 

Na semana anterior, o jornal O Globo havia noticiado que Coimbra e Catelani, aliados de Araújo, teriam instalado duas portas que barravam o acesso de Vilalva às suas salas. 

Depois, o chanceler assinou um documento que alterava o estatuto social da agência - impedindo, entre outras coisas, que o presidente da Apex pudesse demitir Catelani e Coimbra.

Após descobrir o documento, Vilalva declarou que os dois diretores eram “despreparados, inexperientes, inconsequentes e irresponsáveis”. 

“O mais grave foi o fato de que as mudanças foram feitas sem o presidente da Apex saber e que elas foram escondidas em documento guardado em cartório, o que demonstra jogada ardilosa e de má-fé”, disse o embaixador à Folha. “O documento foi feito na calada da noite, e faltou lealdade ao ministro.”

Vilalva já havia substituído Alex Carreiro, que foi demitido em 9 de janeiro, pelo Twitter pelo chanceler.

Em nota, nesta segunda-feira (6), a assessoria da Apex diz que a chegada de Segovia “implicará em algumas mudanças na agência, já iniciadas hoje, com a decisão de Segovia de destituir de suas funções” os dois diretores.

“Em breve serão informados os nomes dos novos ocupantes dos referidos cargos, cuja indicação estará sob responsabilidade do Conselho Deliberativo Administrativo”, diz o texto. A Apex está sob o guarda-chuva do Itamaraty.

Nos últimos dias, circularam rumores sobre como Catelani, especialmente, trabalhava nos bastidores para impedir a nomeação do militar para a presidência da agência - inclusive afirmando que ele não dominava bem o inglês, um requisito fundamental para o posto e que contribuiu para a queda de Carreiro.

A nota da assessoria da Apex desta segunda destaca que Segovia “tem pós-graduação em Política e Estratégia, pela Escola Superior de Guerra” e ”é fluente nos idiomas inglês e espanhol”.