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20/03/2020 19:26 -03 | Atualizado 20/03/2020 19:36 -03

Anvisa enquadra cloroquina como medicamento controlado

Medida busca evitar que pacientes que já utilizam o medicamento não fiquem sem tratamento.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta sexta-feira (20) mudança de status da hidroxicloroquina e da cloroquina, que passam a ser medicamentos de controle especial. O princípio ativo já era sujeito à prescrição médica. Agora, a venda irregular será considerada infração grave.

“A medida é para evitar que pessoas que não precisam do medicamento provoquem um desabastecimento no mercado. A falta do produto pode deixar os pacientes com malária, lúpus e artrite reumatoide sem os tratamentos adequados”, justifica a agência.

Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a droga tem sido testada como opção no combate ao coronavírus tem havido uma corrida às farmácias. No entanto, ainda não há estudo científico que comprove a eficácia da cloroquina no combate ao vírus.

“Apesar de alguns resultados promissores, não há nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavirus. Ou seja, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, ressalta a Anvisa.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), tem feito alertas sobre o fato de o uso do medicamento para o combate ao coronavírus ainda estar em caráter experimental.

Além da falta de comprovação científica no combate a covid-19, o medicamento se usado sem supervisão pode representar alto risco à saúde.

Como HuffPost informou na quinta (19), a cloroquina pode causar em alguns pacientes miopatia e arritmia. E ela tem uma ação antiagregante plaquetária, que, numa interação com outras drogas que o paciente estiver usando, como anticoagulantes, pode provocar até sangramento”, alerta o reumatologista Fábio Jennings, da Sociedade Brasileira de Reumatologia e da Unifesp.

Aos que já fazem uso do medicamento, a Anvisa explica que poderão usar a receita simples que já usam pelo prazo de 30 dias. “A receita será registrada pelo farmacêutico que já está obrigado a fazer o controle do medicamento no momento da venda”, pontua.