Ansioso porque tem de sair de casa? 7 passos para superar esse medo

“Fico muito ansioso quando tenho de sair de casa”, diz um leitor do HuffPost. Três terapeutas dão conselhos para voltar ao ‘normal’.

É compreensível que você se sinta ansioso e até com medo de sair de casa agora que as restrições de circulação estão sendo afrouxadas, especialmente porque durante meses a fio ouvimos a mensagem de que ficar em casa era sinônimo de segurança.

Perguntamos aos leitores do HuffPost UK: Como você está se sentindo? Um tema comum entre as centenas de respostas que recebemos foram os medos das pessoas conforme as coisas vão voltando ao normal ― principalmente quando as outras não seguem as recomendações oficiais.

“Fico muito ansioso quando tenho de sair de casa”, diz um leitor, “especialmente porque algumas pessoas parecem pensar que tudo está normal. Elas não respeitam a distância de dois metros, e isso me dá muita raiva”.

Outro leitor escreve: “Ter de sair e ficar perto de outras pessoas que não respeitam o distanciamento social me causa uma ansiedade que nunca tinha sentido antes. É muito ruim.”

O psicoterapeuta Mike Ward, que administra uma clínica de saúde mental em Londres, estima que entre 25% e 30% de seus clientes dizem ficar preocupados quando têm de ir para o trabalho ou fazer compras.

“Alguns ficaram muito inseguros com as restrições e não se sentem à vontade para se aventurar de novo na incerteza do mundo lá fora”, diz Ward. Ele afirma não estar surpreso com o fato de as pessoas se sentirem assim.

É uma preocupação muito racional. “A ameaça [do vírus] é real e desconhecida”, diz ele. “Os pensamentos dessas pessoas são muito realistas e racionais. Elas estão preocupadas consigo mesmas e com os outros.” As mensagens do governo britânico –“fique em casa” e “fique alerta” ― podem ter contribuído para isso.

“No começo, as pessoas foram influenciadas pelo medo desse tipo de campanha”, diz Ward. “Agora, a mensagem mudou para ‘você pode sair um pouco mais’. Existem muitas pessoas que se apegaram a essa realidade de ficar trancado em casa.” Ward diz que o sentimento também guarda algumas semelhanças com a síndrome de Estocolmo, a resposta psicológica segundo a qual vítimas de sequestros ou abusos se apegam a seus captores ou agressores.

Além disso, as pessoas sentem que conquistaram algo ficando em casa. Há uma enorme sensação de conforto em saber que estamos seguros – e a ideia de abandonar esse refúgio pode não ser tão agradável. Isso é particularmente verdadeiro para quem tem medo de trazer o vírus da rua para sua própria casa, potencialmente infectando a família.

O que fazer se estiver ansioso?

1 - Seja gentil consigo mesmo

A psicoterapeuta Rahki Chand pede que as pessoas não se julguem por se sentirem ansiosas na hora de sair de casa. “Tudo bem sentir medo”, afirma ela. Não se torture por causa disso.

2 - Vá aos pouquinhos

Uma boa maneira de se reacostumar com o mundo lá fora é dar passos pequenos. “É quase como a terapia de fobias, você precisa ser muito gradual”, diz a psicoterapeuta Lucy Fuller. “Pense na melhor hora para sair, quanto tempo você vai ficar fora (pode ser um curto período) e escolha um lugar que não esteja cheio.”

“Dê uma volta no quarteirão às 18h30, ou quando a rua esteja mais vazias por exemplo”, sugere Fuller. “Aí continue. No dia seguinte, saia de novo. Talvez você não sinta vontade, mas insista. Passe na frente do supermercado. Depois, entre para fazer compras.”

Planejar essas etapas e útil, assim como ter alguém por perto para ajudá-lo e incentivá-lo.

3 - Pense nas coisas que você consegue controlar

A chave é pensar naquilo que você consegue controlar, em vez de se concentrar no que está fora do seu alcance. Você pode decidir atravessar a rua para evitar uma calçada mais movimentada, por exemplo. A higiene também está sob seu controle: lave as mãos regularmente, evite tocar no rosto e use máscara.

Se você se sente bem indo ao supermercado, ainda assim pode ficar ansioso com a proximidade das outras pessoas na loja. É perfeitamente normal. Existem duas opções, diz Ward. A primeira é ser assertivo e pedir que os outros respeitem os dois metros de distância. A outra é escolher um horário de menor movimento. Ambas estão sob seu controle.

Conversar com seu chefe sobre uma volta ao trabalho com segurança também é uma maneira de recuperar um pouco de controle. As empresas têm o dever de ajudar os funcionários a se sentir seguros e apoiados durante esse período.

4 - Tente se concentrar em outras coisas quando estiver fora

Chand recomenda listar na sua cabeça cinco coisas que você vê e cinco que você ouve, por exemplo. Ou então escolher uma cor e procurar objetos dessa cor enquanto estiver na rua. Fazendo isso, você se centra e esquece um pouco do que gera ansidade. Algumas pessoas podem preferir ouvir música ou um podcast, acrescenta ela.

5 - Cuide de si mesmo

Chand recomenda autocuidado geral em tempos de ansiedade: coma bem, durma bem, reserve um tempo para fazer as coisas que gosta, exercite-se e permaneça conectado aos outros (mesmo que seja apenas um bate-papo com o seu vizinho à distância).

6 - Ataques de pânico

Ter um ataque de pânico fora de casa pode ser aterrorizante. Seja gentil consigo mesmo ― saiba que é a resposta da sua mente e do seu corpo a uma situação assustadora.

Se você sentir um ataque iminente, concentre-se na respiração. Fique parado e tente diminuir a frequência cardíaca, inspirando e expirando lenta e profundamente. Você também pode tentar a técnica da cor descrita acima. Quando sua respiração se acalmas um pouco, tem alguém para quem você possa ligar e pedir para te encontrar?

7 - Não ignore a ansiedade

Se você não lidar com essa ansiedade, ela pode se tornar um problemas de saúde mental mais grave no futuro. “Fomos programados para pensar que o mundo lá fora é um lugar terrível, então acho difícil começar a sair”, diz Fuller. “Em casos extremos, acho que teremos mais casos de agorafobia.”

Se você sentir que seus medos ou ansiedades estão começando a interferir na sua vida, não tenha medo de procurar ajuda. Você pode começar conversando com um amigo ou parente ou então procurar um especialista em saúde mental.

E, quando você conseguir voltar a sair de casa, não importa quão pequenos sejam esses passos, recompense-se.

Você reuniu coragem ― e é coragem, diz Ward ― para enfrentar seus medos, então merece uma recompensa (e esteja livre para escolhê-la!) ou com afirmações. Isso cria um ciclo positivo de motivação e recompensa, acrescenta ela.

Sinceramente, todo mundo está merecendo um tapinha nas costas.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.