COMPORTAMENTO
06/11/2019 02:00 -03

Como uma boa noite de sono diminui nossa ansiedade

"O sono profundo parece ser um ansiolítico natural."

“Nada como uma boa noite de sono.”

A frase acima pode ser a resposta para diversos problemas na nossa vida, e não é que uma noite bem dormida seja capaz de resolver todas as nossas angústias. Mas acontece que o contrário tem um efeito poderoso em nosso bem-estar.

Pesquisadores da Universidade de Berkeley descobriram que uma noite sem dormir pode provocar um aumento de até 30% em nossos níveis de ansiedade.

As análises foram publicadas na última segunda-feira (4) na revista Nature Human Behavior e fornecem explicações sobre as atividades neurais, o sono e ansiedade.

De acordo com o estudo realizado pelos cientistas, o tipo de sono mais adequado para acalmar e redefinir o nosso cérebro ansioso é o profundo, também conhecido como sono de ondas lentas de movimento ocular não rápido (NREM).

Phoenixns via Getty Images

Ele é caracterizado por um estado no qual as oscilações neurais se tornam altamente sincronizadas com a nossa frequência cardíaca e provoca a queda da pressão arterial.

“Conseguimos identificar uma nova função do sono profundo, que é diminuir a ansiedade literalmente da noite para o dia, pois reorganiza as conexões no cérebro”, explicou um dos autores estudo, Matthew Walker, professor de neurociência e psicologia da universidade de Berkeley.

“O sono profundo parece ser um ansiolítico natural”, afirmou. 

Para elaborar as conclusões, os pesquisadores analisaram o cérebro de 18 jovens adultos americanos. Após uma noite sem dormir, as imagens cerebrais mostraram um desligamento do córtex pré-frontal medial, o que normalmente ajuda a manter nossa ansiedade sob controle, enquanto outras partes do cérebro, que cuidam das nossas emoções mais profundas, estavam hiperativa.

Após as primeiras análises, os cientistas replicaram os experimentos com outros 30 adultos. E os resultados comprovaram que o sono profundo e de qualidade reduzia as taxas de ansiedade no indivíduo.

De acordo com Eti Ben Simon, co-autor da pesquisa, as descobertas sugerem que a diminuição do sono na maioria dos grandes centros urbanos e a acentuada escalada nos transtornos de ansiedade que a gente observa também nesses mesmos lugares talvez não sejam apenas coincidências.

“A melhor ponte entre desespero e esperança é uma boa noite de sono”, explica.