10/02/2019 00:00 -02 | Atualizado 10/02/2019 00:00 -02

Anna Haddad e a criação de espaços para que o conhecimento circule livremente

"É um espaço não para ficar naquele modelo tradicional de 'eu vou, eu ouço e saio certificada'."

HuffPost Brasil
Anna Haddad é a 340ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.

Seguiu uma pista que estava bem na sua frente. Aos 25 anos, formada e já com um trabalho estável na área que havia escolhido, Anna Haddad, 32 anos, começou a se questionar. Pensava constantemente sobre o seu caminho na educação e na formação que tinha tido até então. “Eu já adulta e não sabia quais eram minhas habilidades. Fui treinada para fazer o que fazia, passei 11 anos nas escola, fiz um caminho padrão e cheguei onde estava, mas o que gosto? Onde está minha potência no trabalho e no mundo?”. Seguiu a pista até o caminho que queria explorar.

Formada em direito, trabalhou em grandes escritórios desde os 20 anos e atuava com direito patrimonial e um universo com o qual não se identificava. Nascida em Campo Grande, ela lembra que chegou a capital paulista com 15 anos para estudar e entrou em um colégio com foco em formação para o vestibular. “Não tive um processo honesto de aprendizagem. Era essa coisa do vestibular. Prestei publicidade e direito e meu pai achava que direito era melhor pra mim e fiz. Eu gosto ainda e acho que faz sentido até para o que eu faço hoje, mas o mercado do direito é que não fazia muito sentido para mim, principalmente nas áreas que testei, eram áreas que não me traziam propósito”.

A ideia era o conhecimento circular para fora das estruturas tradicionais de ensino.
Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Anna é formada em direito, trabalhou em grandes escritórios desde os 20 anos e atuava com direito patrimonial e um universo com o qual não se identificava.

Além disso, parte do objetivo também era promover identificação entre os participantes. O conteúdo era importante, claro, mas acabava sendo o grande elo entre pessoas. “A ideia é que se conectassem a um assunto, mas o conteúdo não era o central, era mais para achar seus pares e trocar do que aprofundar um assunto, não são cursos de longa duração com certificado. É um espaço para você encontrar os seus e trocar conhecimento e não ficar naquele mesmo modelo tradicional de eu vou, eu ouço e saio certificada”.  A plataforma funciona desde 2012 e já realizou quase 3 mil eventos e conta com cerca de 22 mil usuários cadastrados.

Anna comemora o bom andamento do negócio e os frutos que já pode colher dele. Tanto que desse projeto nasceu uma segundo iniciativa. Baseada na observação e nas experiências que foi tendo por causa do Cinese, surgiu a vontade de criar um espaço de encontro para mulheres e assim surgiu a Comum, inicialmente um fórum aberto online que em seu primeiro mês já reuniu 600 mulheres e debateu questões diversas ligadas a gênero, feminismo negro, relatos de abusos, entre outros. “Depois, nasceu a plataforma quase como uma revista feminista com vários artigos e depois migrou para um lugar mais centrado e maduro de gênero e desenvolvimento humano. Hoje é isso. Uma plataforma de desenvolvimento humano para mulheres que equilibra muito questões de gênero e questões sociais e políticas com autoconhecimento”.

É um espaço não para ficar naquele modelo tradicional de 'eu vou, eu ouço e saio certificada'.
Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Parte dos projetos que toca atualmente tem como objetivo promover identificação entre os participantes.

Atualmente a plataforma possui áreas com artigos, vídeos, sugestões de práticas, encontros online e propostas para eventos de imersão presenciais também. Os fóruns também continuam ocorrendo e o objetivo é fortalecer as relações. “A ideia é encontrar uma rede de apoio expandida para além das amigas, ter um lugar 24 horas de apoio. E aí tem de tudo... desde alguém perguntando se conhecem uma advogada feminista para alguma causa ou um relato sobre abuso, uma reflexão sobre gordofobia”.

Anna sabe que ainda há desafios em relação à diversidade e alcance do projeto já que a entrada na plataforma ocorre apenas por mulheres que têm acesso a internet, mas acredita que é um primeiro passo e estuda formas de torná-lo ainda mais democrático. “Tem várias limitações ainda. Estamos entendendo como contornar isso a partir de outros produtos e um projeto para este ano é trazer mais mulheres para perto com habilidades diferentes e visões diferentes”.

Quer ampliar a roda. O grande objetivo é esse. Criar esse espaço de encontro e deixar que o conhecimento circule ali, livremente. Para Anna, informação, experiência e sabedoria ganham força e potência quando compartilhadas. É na troca que há crescimento e transformação. Que entre sempre mais uma na roda. Que todas possam seguir as pistas.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para editor@huffpostbrasil.com com assunto “Todo Dia Delas” ou fale por inbox na nossa página no Facebook.

Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC.