OPINIÃO
10/11/2019 06:00 -03 | Atualizado 10/11/2019 06:00 -03

Amor de Mãe: Nova novela das 9 usará emoção para manter audiência de A Dona do Pedaço

“Fico me policiando para não pesar no melodrama; é preciso o equilíbrio”, disse o diretor, José Luiz Villamarim.

Reprodução/TV Globo
Regina Casé contracena com Adriana Esteves em Amor de Mãe.

A Globo promoveu na última terça-feira (5) o lançamento de sua nova novela, Amor de Mãe, em evento no Rio de Janeiro, com a presença da mídia, elenco e profissionais envolvidos na produção. Bati um papo com a autora da trama, Manuela Dias, e com o diretor artístico, José Luiz Villamarim. Ambos concordam que a principal arma de Amor de Mãe para conquistar o público é a emoção. 

Egressos de trabalhos mais densos e dramáticos, autora e diretor terão a difícil missão de manter a alta audiência conquistada na faixa por A Dona do Pedaço, uma novela que “atira para todos os públicos”, com texto mastigado, trama escapista, humor pastelão e de pouco compromisso com a realidade, verossimilhança ou coerência.

Amor de Mãe, que estreia no dia 25 de novembro, vai na contramão de A Dona do Pedaço. Villamarim destacou o comprometimento com a realidade: “Não quero que os atores representem, quero que eles sejam”. Assim sendo, e com as chamadas vistas até agora, paira o receio de que falte a Amor de Mãe o humor nonsense e a fuga da realidade que prevalecem em A Dona do Pedaço — apelos pelos quais a novela conquistou o seu público, mais avesso a tramas realistas.

Em defesa, Manuela e Villamarim afirmam que sim, Amor de Mãe terá o alívio cômico que todas as novelas precisam ter. O diretor destacou a personagem de Regina Casé, Lurdes. “A Regina tem o approach das personagens de muito humor, muita leveza. A Lurdes tem essas características. Agora ela [a atriz] vai visitar o drama. Mas Lurdes é uma mulher que precisa trabalhar e não tem tempo para discutir dramas existenciais.”

Villamarim salientou que, apesar de ser uma história calcada na emoção, não está sublinhando o melodrama. A intenção não é fazer o público sofrer com os personagens, mas sim se emocionar. “Fico me policiando para não pesar no melodrama, é preciso o equilíbrio”, disse o diretor.

Como paralelo, tome o drama da personagem Fátima, de Adriana Esteves, na minissérie Justiça, escrita por Manuela e dirigida por Villamarim. A história da mulher que cumpriu pena injustamente e viu a família se esfacelar emocionou o público graças ao texto e à interpretação realista e cativante da atriz. Na “pegada realista, mas emocional”, a Globo ainda tem arrancado elogios com as histórias da série Segunda Chamada, exibida às terças-feiras.

Em um passado recente, a emissora sofreu com novelas que pesaram na realidade (Babilônia, A Regra do Jogo), mas que preteriram um elemento fundamental de todo folhetim: a emoção. Amor de Mãe — o título já tem esse apelo — promete cativar o público pela identificação com os personagens. “Todo mundo tem uma história de mãe”, lembrou a autora Manuela Dias.

Nilson Xavier assina esta coluna no HuffPost. Siga nosso colunista no Twitter e acompanhe seus melhores conteúdos no site dele. Também assine nossa newsletter aqui com os melhores conteúdos do HuffPost.