COMIDA
30/04/2019 11:08 -03 | Atualizado 30/04/2019 19:28 -03

Alimentos calóricos nos engordam mais quando estamos estressados

Pesquisadores acreditam que uma molécula no cérebro, controlada pela insulina, impulsiona o ganho de peso maior.

Westend61 via Getty Images

Não é segredo que seguir uma dieta calórica contribui para o aumento de peso. Porém, o estilo de vida também pode influenciar no ganho de peso. Um estudo publicado na Austrália apontou que uma dieta calórica combinada com estresse resulta em maior ganho de peso. 

O estudo, realizado com camundongos, observou que aqueles que seguiam uma dieta calórica e sob estresse ganharam mais peso do que aqueles que os que seguiram a mesma dieta, porém em um ambiente sem estresse. 

A pesquisa foi publicada no periódico científico Cell Metabolism no final de abril. “O estudo indica que precisamos prestar atenção não só no que comemos, mas também na nossa saúde mental, para evitar o rápido desenvolvimento da obesidade”, disse o professor Herbet Herzog, diretor do laboratório de Transtornos Alimentares da Garvan Institute of Medical Research, ao Science Daily

Os pesquisadores australianos acreditam que uma via molecular no cérebro, controlada pela insulina, impulsiona o ganho de peso maior. 

Enquanto alguns indivíduos comem menos quando estão estressados, a maioria das pessoas acaba descontando na comida ― de preferência, alimentos ricos em gorduras e açúcares ― suas frustrações emocionais, estresse e ansiedade. 

Para entender o que controla a “alimentação sob o estresse”, os pesquisadores investigaram diferentes áreas dos cérebros dos camundongos de laboratório. Enquanto a ingestão de alimentos é majoritariamente controlada por uma parte do cérebro chamado hipotálamo, outra parte ― amígdala cerebral ― processa as respostas emocionais, incluindo ansiedade. 

“Nosso estudo mostrou que, quando sob estresse e sob uma dieta calórica, os camundongos ficaram obesos mais rapidamente do que aqueles que tinham a mesma dieta em um ambiente não estressante”, explica um dos autores do estudo, Dr. Kenny Chi Kin Ip. 

No centro deste ganho de peso, os cientistas descobriram que uma molécula chamada NPY, que o cérebro produz naturalmente em resposta ao estresse para estimular a fome em humanos, assim como em ratos.

“Nós descobrimos que, quando nós trocamos a produção de NPY na amígdala, o ganho de peso reduziu. Sem a NPY, o ganho de peso dentro de uma dieta calórica e sob estresse foi igual ao de ratos que seguiram dieta calórica, mas sem serem submetidos ao estresse”, disse Ip. “Isso mostra claramente a ligação entre o estresse, obesidade e NPY.”

Os pesquisadores descobriram também que as células nervosas da amígdala que produzem NPY têm receptores de insulina ― um dos hormônios responsáveis pelo controle da alimentação. 

Em condições normais, o corpo produz insulina apenas depois das refeições, para que as células absorvam a glicose do sangue e envie sinais de saciedade para o hipotálamo. No estudo, foi comprovado que apenas o estresse crônico aumentou os níveis de insulina no sangue, mas em combinação com uma dieta altamente calórica, os níveis de insulina ficaram 10 vezes maior do que os camundongos que não estavam estressados e que receberam uma dieta normal. 

“Nosso estudo revelou um ciclo vicioso, onde crônico, o alto nível de insulina ocasionado pelo estresse e por uma dieta calórica promove mais e mais fome”, explicou o professor Herzog. “Isso realmente reforça a ideia de que, enquanto é ruim comer ‘junk food’ sob o estresse é duplamente perigoso para a saúde.”