COMIDA
11/02/2019 07:10 -02 | Atualizado 11/02/2019 07:11 -02

Como a sua alimentação impacta o meio ambiente

Explicamos como simples mudanças de hábito podem ajudar a salvar o planeta Terra.

JONGHO SHIN via Getty Images
Derretimento das geleiras é uma das causas do efeito estufa, que também está relacionado à nossa alimentação.

Quando falamos sobre sustentabilidade, o que vem à nossa cabeça é reciclagem, economia de água ou incentivo ao uso de biocombustíveis. Muitos se esquecem, porém, de um dos hábitos mais danosos ao meio ambiente: o ato de se alimentar. 

Nossa alimentação cada vez mais preocupa ambientalistas. O problema não está em comer, de fato, mas no que colocamos no prato e no que é desperdiçado antes ou depois dele. 

Com o avanço da tecnologia, hoje temos muito mais comida à nossa disposição do que décadas atrás. Mas a produção de alimentos em escala “industrial” mostra hoje seu preço, como o uso demasiado dos recursos naturais. De acordo com a Global Footprint Network, organização de pesquisa que combate o aquecimento global, seriam necessários 4 planetas Terra para sustentar o mesmo ritmo de consumo da população mundial até 2050. 

Mas nem sempre foi assim. De 1950 a 2010, a população mundial aumentou 3 vezes, indo a cerca de 7 bilhões de pessoas. Neste mesmo período, a quantidade de bens e serviços utilizados aumentou 3,6 vezes.

“Triplicamos os padrões de consumo, e isso tem um impacto gigantesco para o clima e meio ambiente, agravando problemas como o aquecimento global, a poluição e a desertificação”, explica Denise Conselheiro, gerente de educação do Instituto Akatu, organização que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente.

Com a fartura e preços mais competitivos, perdemos hábitos antigos que ― inconscientemente ― ajudavam o planeta, como aproveitar completamente os alimentos, evitar desperdícios, comprar o necessário e comer menos carne.

“A gente vem aumentando os padrões de consumo de maneira impactante [para o meio ambiente]. Alterar a maneira como consumimos alimentos é fundamental para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, para diminuir o uso da água e para termos mais saúde também”, disse Conselheiro. 

Ela deu algumas orientações para praticar o chamado “consumo consciente”, que nada mais é o consumo com objetivo de diminuir o seu impacto ambiental. E isso começa muito antes de comer. 

Planeje as compras antes de ir ao mercado. 

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Ir às compras na feira perto de casa é um excelente primeiro passo para evitar desperdícios.

“A gente visualiza o prato feito, mas temos que pensar no processo completo, que vai desde o planejamento da compra”, disse Denise.

Um dos primeiros passos para consumir de forma consciente é escolher um mercado perto de casa, para diminuir o uso de combustível no seu transporte, e planejar a alimentação para toda a semana, para reduzir o desperdício.

Faça uma lista com alimentos que você pretende consumir durante a semana e não vá às compras com fome, pois você tende a comprar mais coisas e, muitas delas, desnecessárias. 

Priorize produtos locais, orgânicos e sazonais.

Outra dica importante é dar prioridade aos produtos locais, que por terem menor deslocamento, ajudam a emitir menos gases do efeito estufa. 

Produtos sazonais também são ótimas opções: além de saborosos, eles são mais baratos e exigem menos transporte, reduzindo as perdas pela manipulação, gastos de combustível e poluição.

O morango é um exemplo. Se você comprá-lo no verão, certamente ele foi produzido em regiões mais frias, como na Região Sul do Brasil, tendo assim, maior deslocamento do que uma fruta sazonal, que é colhida e vendida apenas em um período do ano em determinadas regiões.

Evite comer carne.

A produção de carne é considerada uma das principais causadoras do aumento da temperatura da Terra. Ela não só aumenta os gases do efeito estufa, como também destrói florestas e utiliza quantidades insustentáveis de água. 

Um estudo publicado na revista Nature alertou em outubro do ano passado que precisaríamos diminuir em 90% o consumo de carne para evitar as mudanças climáticas. 

Em 2006, a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) afirmou que “estoques de animais vivos” mantidos para alimentação respondem por 18% da emissão de gases do efeito estufa ― porcentagem que supera, por exemplo, as emissões causadas por todos os veículos automotores do mundo somados. 

A questão não é abolir a carne, ser vegetariano ou vegano. Mas evitar seu consumo diário, substituindo por grãos e vegetais. 

Qualquer redução é válida. O brasileiro tem o hábito de consumir bastante carne, faz parte da nossa culinária. Mas, se reduzirmos ao menos 1/3 do que consumimos hoje, isso já ajuda bastante o impacto hídrico e redução de gases do efeito estufa.”Denise Conselheiro, do Akatu
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Infográfico mostra a quantidade de água utilizada na produção de alimentos.

Prato consciente, sem desperdício.

Você sabia que quase um terço dos alimentos que produzimos acaba no lixo? Segundo o World Resources Institute (WRI), o Brasil anualmente descarta cerca de 41 mil toneladas de comida, o que o coloca entre os 10 países que mais desperdiçam alimentos. 

Por isso, tentar aproveitar integralmente o alimento é fundamental. “Não desperdice talos e cascas, que têm valor nutritivo relevante”, recomenda Denise. Sempre pense na quantidade certa para evitar sobras de comida e, se puder, congele a comida que restar. 

Tente reciclar as sobras de refeições, por exemplo: os restos do feijão podem virar sopa, enquanto arroz, purê de batatas, cenouras, carne e peixe rendem deliciosos bolinhos. Você também pode transformar frutas maduras em geleias e recheios para bolos.