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12/03/2020 16:19 -03 | Atualizado 12/03/2020 16:22 -03

Bolsonaristas ignoram orientação de evitar aglomerações e estimulam manifestações do dia 15

Mesmo após OMS declarar pandemia, movimentos e deputados aliados do presidente defendem que povo vá às ruas em apoio a Bolsonaro e contra o Congresso.

Na última quarta-feira (11), a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia de coronavírus. No Brasil, os casos confirmados no Brasil começaram a crescer de forma exponencial, o que fez com que o Ministério da Saúde recomendasse à população evitar aglomerações. Mesmo assim, nesta quinta-feira (12), apoiadores do presidente Jair Bolsonaro continuaram incentivando o comparecimento às manifestações do próximo domingo (15). 

Em perfis nas redes sociais, deputados e movimentos bolsonaristas chegaram a ironizar a COVID-19, doença causada pelo coronavírus, e a sugerir que há uma perseguição aos protestos e que não houve a mesma preocupação, por exemplo, no Carnaval. 

Bolsonaro, que convocou, por mais de uma vez, a população a ir às ruas no próximo domingo, não se manifestou sobre a orientação de evitar aglomerações. Ele mesmo foi testado para o coronavírus depois que o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, teve o diagnóstico da Covid-19 confirmado. O resultado do presidente sai nesta sexta.

O primeiro caso de coronavírus no Brasil só foi confirmado no dia 25 de fevereiro, terça-feira de Carnaval. De lá para cá, a situação se mantinha estável, mas entre segunda (9) e quarta (11), o número de casos quase triplicou no País: passou de 25 para 69.

Além disso, a OMS (Organização Mundial de Saúde) decretou que a doença atingiu um grau de pandemia, significando que os esforços de controle de propagação não têm surtido efeito. 

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP), uma das mais aguerridas aliadas do presidente na Câmara, retuitou uma postagem que questiona o fato de não haver restrições para torcidas em estádios, metrô lotado, shows e casas noturnas e aulas em escolas. 

Reprodução/ Twitter

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, contudo, já afirmou que não é momento de suspender aulas em escolas, porque as crianças, quando os pais trabalham, em geral vão ficar com os avós. Os idosos são a população de risco. Ele tem ressaltado reiteradas vezes a orientação de evitar aglomerações sempre que possível. 

Zambelli também colocou em sua rede social a lista de cidades para as quais estão convocadas manifestações, junto com orientações de Mandetta. 

Questionada sobre um decreto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que proibiu aulas, shows e eventos que dependam de alvará do governo local por cinco dias, a deputada disse que a decisão não afeta a manifestação em Brasília.

Porém, a determinação vale para eventos com mais de 100 pessoas que exijam licença, caso de manifestações na Esplanada dos Ministérios.

A procuradora-regional da República no Rio Grande do Sul, Thaméa Danelon, teve uma postagem retuitada por vários políticos e também pelo movimento Nas Ruas, um dos organizadores dos protestos, em que afirma que “o coronavírus assusta”, mas a “maior epidemia que contamina o nosso país é a corrupção”. 

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) é mais um que tem estimulado as manifestações com a hashtag #Dia15BrasilNasRuas, ao comentar a derrubada, pelo Congresso, do veto presidencial 55, que trata do BPC (Benefício de Prestação Continuada), cuja estimativa é gerar um impacto fiscal de R$ 20 bilhões só no primeiro ano. 

Apesar da alta capacidade de disseminação do novo coronavírus, em cerca de 80% dos casos de contaminação, os sintomas aparecem de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave. A principal preocupação é com idosos e pessoas com doenças crônicas. Em infectados com menos de 50 anos, a taxa de mortalidade é de menos de 1%.