MULHERES
02/03/2019 20:50 -03 | Atualizado 03/03/2019 09:50 -03

Alexandre Garcia relaciona distribuição de camisinhas a assédio no Carnaval

Em resposta à campanha da PM, jornalista associou distribuição de camisinhas a casos de assédio.

Reprodução/TVGlobo/AssociatedPress
Garcia foi criticado nas redes sociais e chegou a ficar entre os assuntos mais comentados do Twitter neste sábado (2).  

O jornalista Alexandre Garcia, neste sábado (2), criticou uma publicação da Polícia Militar do Rio de Janeiro nas redes sociais, que visa combater o assédio no Carnaval. Garcia, ex-Rede Globo, associou a distribuição de camisinhas para os foliões a casos de assédio e foi criticado nas redes sociais.

Neste ano, a PMRJ está distribuindo em blocos da cidade adesivos da campanha “não é não”, slogan feminista que combate a cultura do assédio e, em paralelo, realiza campanha nas redes sociais para divulgar a iniciativa:

Importunação sexual é crime e a PMRJ está de olho. Lembre-se de uma coisa: não é não. Apoie você também essa ideia”, diz o tuíte da corporação.

Em resposta à publicação da PM, que também lembrou que o Carnaval 2019 é o primeiro em que a Lei de Importunação Sexual sexual está em vigor, o jornalista disse: 

“Fico pensando na perplexidade dos foliões, entre dois estímulos: primeiro, distribuem camisinhas; depois, alertam que assédio é crime”.

Ao comparar a distribuição de preservativos com a criminalização do assédio, Garcia foi criticado nas redes sociais e chegou a ficar entre os assuntos mais comentados do Twitter neste sábado (2).

Entre as críticas, estão o fato de o comentário do jornalista confundir “sexo consensual com estupidez” e que a comparação só pode ser verdadeira se só existir “ato sexual quando há assédio”. 

Por outro lado, houve também manifestações de defesa e concordância ao comentário do jornalista nas redes sociais:

O jornalista não respondeu às críticas até o momento. 

Assédio é crime, sim 

ASSOCIATED PRESS
Uma das principais ações de coletivos feministas, da Defensoria Pública e da Polícia Militar do Rio de Janeiro é a distribuição de adesivos e tatuagens temporárias.

Carnaval de 2019 será o primeiro com a vigência da Lei da Importunação Sexual (13.718/2018), em vigor desde setembro do ano passado, que tipificou o crime de assédio, estipulando pena de 1 a 5 anos de prisão para o agressor.

Para divulgar a nova legislação, os direitos das vítimas e onde elas podem buscar acolhimento após sofrer um assédio, o Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da defensoria do Rio lançou a cartilha “Folia sim, assédio não”, em parceria com o bloco carioca Mulheres Rodadas. Mais de 4 mil exemplares do documento serão distribuídos no Carnaval de rua da cidade.

“O assédio é muito debatido há muito tempo, mas esse vai ser o primeiro Carnaval depois de uma alteração no Código Penal que criou um tipo específico de crime para determinadas condutas que eram comumente praticadas contra as mulheres”, afirma Flávia Nascimento, coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Rio de Janeiro em reportagem do HuffPost Brasil.

Para saber como denunciar casos de importunação sexual, clique aqui. 

A nova lei define a importunação sexual como a prática de ato libidinoso contra alguém sem o seu consentimento “com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”, passível de pena de 1 a 5 anos de reclusão, se o ato não constituir crime mais grave.

A tipificação substitui a importunação ofensiva ao pudor, contravenção penal comumente usada para enquadrar os casos de assédio a mulheres em locais públicos, cuja punição era feita por multa.