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27/01/2020 17:01 -03 | Atualizado 28/01/2020 11:36 -03

OMS se corrige e diz que é ‘elevado’ risco internacional de contaminação por coronavírus

Casos na China aumentaram cerca de 40% nas últimas 24 horas e número de mortos chegou a 81. Temor por surto global faz bolsa cair e dólar subir.

É “elevado” o risco internacional de contaminação pelo coronavírus, de acordo com alerta da OMS (Organização Mundial de Saúde). A própria OMS havia afirmado, no último dia 23, que o risco era “moderado”, mas se corrigiu e justificou que havia acontecido um “erro de formulação”.

Nesta segunda (27), a OMS afirmou em seu relatório que a avaliação de risco não mudou desde a última atualização e segue “muito alto na China, alto no nível regional e em todo o mundo”.

A quantidade de vítimas do vírus não para de crescer. Nesta segunda, chegou a 81 o número de mortos, já o de casos confirmados aumentou cerca de 40% em relação a domingo e está em 2.744. Na tentativa de conter o surto da doença, o governo chinês prolongou em três dias o feriado do Ano Novo Lunar.

Após a mudança de status no alerta da doença, o diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, convocou uma coletiva de imprensa para informar que o governo redobrou a atenção, especialmente em aeroportos e portos.

Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Há registros de casos de contaminação por coronavírus em mais de 10 países, incluindo Estados Unidos, França e Austrália.

Torres esclareceu ainda que não há registros da presença do vírus no Brasil. Há um caso em análise pelo Ministério da Saúde. Em nota, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que na última sexta-feira (24) uma mulher de 22 anos, que esteve em viagem para a China, foi atendida na UPA Centro Sul de Belo Horizonte, com alguns sintomas respiratórios e febre baixa.

“A paciente passa bem, já recebeu atendimento e todas as providências necessárias foram tomadas. Ela será transferida para o hospital Eduardo de Menezes para ser acompanhada. O caso será discutido com o Ministério da Saúde e assim que tivermos novas atualizações, iremos informar”, diz a nota. Nos últimos dias, o Ministério da Saúde descartou quatro casos no País, um deles era em Minas Gerais. 

As novas informações estão causando impacto na economia mundial. As bolsas estão em queda e o dólar, em alta. As ações asiáticas tiveram um recuo de 2,0%, o maior em um único dia registrado nos últimos cinco meses.

Informações escondidas

A OMS criticou o governo chinês por ter demorado a emitir um alerta e não ter indicado que havia uma epidemia. Também nesta segunda, o prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, admitiu que escondeu informações e colocou o cargo à disposição.

A cidade administrada por Xianwang, com 11 milhões de habitantes, é o epicentro do surto. Segundo ele, mais de 5 milhões de pessoas deixaram o local antes do isolamento. Isso pode ter ajudado a espalhar o vírus.

“Nossos nomes viverão na infâmia, mas enquanto for propício ao controle da doença e à vida e segurança das pessoas, o camarada Ma Guoqiang e eu assumiremos qualquer responsabilidade”, disse à televisão estatal chinesa.

Segundo análise do diretor da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiawei, a epidemia está entrando em um período complexo. “Parece que ela continuará por algum tempo, e o número de casos pode crescer.”

Há registros de casos da doença em mais de 10 países, incluindo Estados Unidos, França e Austrália.

O coronavírus causa infecção respiratória em seres humanos e em animais. Geralmente, essa infecção é semelhante a um resfriado comum, mas alguns casos podem se agravar. A transmissão costuma ocorrer por ar ou contato pessoal.

O vírus geralmente fica incubado por cerca de 14 dias, tempo que demora para os sintomas aparecerem. Entre os sintomas estão febre, tosse e dificuldade para respirar.