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27/10/2019 22:36 -03 | Atualizado 28/10/2019 08:03 -03

Alberto Fernández vence Mauricio Macri no 1º turno e é o novo presidente da Argentina

Disputa foi mais apertada que as pesquisas indicavam. Com 96% das urnas apuradas, Fernández tem 47% dos votos e Macri, 40%.

Agustin Marcarian / Reuters
Alberto Fernández confirma favoritismo e é eleito presidente da Argentina em 1º turno.

Eleitores argentinos foram às urnas neste domingo (27) para votar na eleição presidencial que levou o candidato peronista de centro-esquerda, Alberto Fernández, à Casa Rosada. Com 96,2% das urnas apuradas, Fernández tinha 48% dos votos contra quase 40,4% do atual presidente, Mauricio Macri

Uma vitória de Fernández, um político negociador cuja candidatura foi impulsionada pela ex-presidente e companheira de chapa Cristina Kirchner, gera preocupação no mercado financeiro, que teme que isso leve a uma maior intervenção estatal na economia.

Macri era o favorito dos mercados, mas os especialistas consideravam muito difícil que ele conseguisse recuperar a vantagem de 20 pontos percentuais que Fernández registrou nas primárias de agosto, que funcionam como uma espécie de pesquisa de intenção de voto oficial.

De fato, a diferença das primárias e das pesquisas para o 1º turno diminuiu. A diferença foi apenas de seis pontos percentuais, mas o suficiente para assegurar a vitória de Fernández em 1º turno. 

Isso porque na Argentina o candidato vence na primeira etapa da votação se conquistar acima de 45% dos votos — ou mais de 40%, contanto que a diferença para o segundo colocado seja de dez pontos percentuais.

Apesar de os investidores já estarem considerando a vitória do peronismo nos últimos dias, o triunfo da oposição pode impactar os mercados nesta segunda-feira (28) e provocar uma nova queda no já combalido peso argentino, que em agosto caiu muito após o resultado das primárias.

Fernández, que foi chefe de gabinete em parte dos governos do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), sua candidata a vice, é um peronista moderado, que conseguiu unir seu partido numa coalizão chamada Frente de Todos.

“Estamos numa enorme crise e temos que trabalhar juntos por um país melhor”, disse Fernández depois de votar.

A forte alta na inflação, no desemprego e na pobreza são os pontos fracos de Macri e de sua aliança de centro-direita, a Juntos pela Mudança, que no entanto mantém o apoio de um grupo de eleitores que veem nele uma melhora na transparência e nas iniciativas públicas.

Além de presidente, os argentinos elegeram deputados, senadores, governadores e dirigentes locais.