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08/05/2020 13:19 -03

Pedido da AGU para Moraes reconsiderar Ramagem na PF mostra que Bolsonaro não desistiu

Solicitação pode não ser concretizada porque o próprio governo tornou sem efeito a nomeação de Ramagem para o comando da Polícia Federal, após decisão de Moraes.

A AGU (Advocacia-Geral da União) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes que reconsidere a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. Com a liminar do magistrado na última quarta (29), Jair Bolsonaro foi convencido a indicar o delegado Rolando de Souza, braço direito de seu predileto.

Essa escolha, porém, nunca foi tida como definitiva pelo mandatário, que na madrugada de segunda (4) demonstrava disposição, inclusive, de bater de frente com o STF e dar posse relâmpago a Ramagem apesar da decisão anterior da Corte. Segundo interlocutores, o presidente busca apenas uma “brecha” para nomeá-lo. 

O pedido da AGU é de terça-feira (5), um dia após a posse de Rolando, que ocorreu menos de uma hora após sua nomeação ser publicada no DOU (Diário Oficial da União). A solicitação, porém, pode não ser concretizada porque o próprio governo tornou sem efeito a nomeação naquela mesma quarta-feira da decisão de Moraes. 

Na decisão que impediu Ramagem de assumir, o ministro Alexandre de Moraes alegou “desvio de finalidade” e disse que a Polícia Federal não é ”órgão de inteligência da Presidência da República”. “Apresenta-se viável a ocorrência de desvio de finalidade do ato presidencial de nomeação do Diretor da Polícia Federal, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público”.

Adriano Machado / Reuters
Alexandre Ramagem não deixou de estar nos planos de Bolsonaro para comandar a PF. 

Ramagem se aproximou do clã Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, quando coordenou a segurança pessoal de Jair Bolsonaro, feita pela Polícia Federal. 

Em 2019, Ramagem foi colocado como assessor especial da Secretaria de Governo até quando o general Carlos Alberto Santos Cruz ocupou o cargo. Em julho do ano passado, foi indicado para a direção-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), cargo que voltou a ocupar após ser impedido de assumir a PF. 

Internamente na PF, ele é respeitado, mas havia preocupação sobre a pressão que poderia sofrer da família do presidente. 

Ao assumir, Rolando Alexandre de Souza, que até então chefiava a Secretaria de Planejamento e Gestão da Abin, decidiu trocar pontos estratégicos no Polícia Federal. Nos bastidores, há informação de que ele contou com ajuda de Ramagem na escolha dos nomes. 

Um dos locais que teve o comando trocado foi a Superintendência da PF no Rio. Lá ele colocou o delegado Tácio Muzzi, que estava em Alagoas. O nome não constava entre as preferências do presidente Jair Bolsonaro, o que afastou entre a categoria o temor de que possa haver interferência política na corporação. 

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