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23/07/2019 12:29 -03 | Atualizado 23/07/2019 12:51 -03

Governo da Bahia, do PT, manda retirar PM da segurança de evento com Bolsonaro

“Não posso colocar a PM para espancar o povo baiano que quer conhecer o novo aeroporto. (...) Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais que cuidem da segurança do presidente”, disse Rui Costa.

Montagem/Instagram/Getty

O governador da Bahia, Rui Costa, do PT, decidiu retirar a Polícia Militar da segurança do evento ao qual o presidente Jair Bolsonaro participa nesta terça-feira (23), em Vitória da Conquista (BA). À rádio Metrópole, Costa alegou que o evento é exclusivamente federal e que cabe à Polícia Federal manter a ordem.

“Não posso colocar a PM para espancar o povo baiano que quer conhecer o novo aeroporto. Quem é popular e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete. Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais que cuidem da segurança do presidente”, disse o governador.

O petista publicou um vídeo em seu Instagram no qual afirma que o presidente não sairá do terminal aeroportuário e, por isso, não precisará de segurança. 

A fala do governador é mais um capítulo da troca de farpas com o presidente. Inicialmente, o petista participaria ao lado de Bolsonaro da inauguração do aeroporto em Vitória da Conquista, no entanto, na última sexta Bolsonaro desrespeitou os nordestinos e abriu um conflito com os governadores do Nordeste.

Antes de um café da manhã com jornalistas, o presidente se referiu aos nordestinos como “paraíba”. “Daqueles governadores de... “paraíba”, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, disse ele ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O áudio foi captado pelos microfones.

A segurança do lado de fora do aeroporto está sob responsabilidade da Presidência e do Exército, segundo relatos de pessoas que participam do eventos ouvidas pelo HuffPost.

Bolsonaro foi alvo de uma facada em um evento de campanha em Juiz de Fora (MG), em setembro do ano passado. Além disso, de acordo com a revista Veja, ele tem sofrido ameaças de ataques terroristas. 

Paternidade da oba

Além da rixa em relação a Bolsonaro ter destratado os nordestinos, há uma queixa em relação à paternidade da obra. Dos R$ 106 milhões investidos na construção do aeroporto, R$ 31 milhões foram aplicados pelo governo do estado, e o restante, pela União. A construção foi iniciada ainda na gestão do ex-presidente Lula, quando o senador Jacques Wagner (PT-BA) governava o estado, em 2009. 

Na manhã desta terça, em conversa com o HuffPost, o prefeito da cidade, Herzem Gusmão (MDB), afirmou que a rixa instalada “deseduca o povo”. Para ele, a desistência do governador tem um motivo claro: “O Rui [Costa] viu que seria ofuscado no evento”. 

Anti-petista, o prefeito não chega a ser aliado de Bolsonaro, mas destaca que, com a ausência do governador, terá prazer em tomar o papel de anfitrião e “abençoar o presidente”. 

Aliados de Rui Costa também foram ao Twitter para denunciar a retirada de outdoors em uma pista que dá acesso ao aeroporto. Segundo Herzem Gusmão, as placas estavam irregulares. 

“O governo do estado tenta iludir as pessoas, apropriando-se das coisas e se aproveitando das fragilidades alheias. Não é a primeira vez que fazem isso. Também aconteceu com o metrô de Salvador”. 

A cerimônia agendada para 11h desta terça não havia começado por volta de 11h30. O presidente, embora alvo de manifestações devido a comentários recentes sobre o Nordeste, estará blindado. Ficará do lado de dentro do aeroporto, por onde chegará e de onde não deve sair. Os protestos ficarão concentrados do lado de fora. 

Chove e faz frio em Vitória da Conquista essa manhã, conforme relatos de pessoas que participam do protesto contra o presidente.