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09/09/2020 08:50 -03 | Atualizado 09/09/2020 10:23 -03

Advogados de Lula e ex-defensor de Bolsonaro, que escondeu Queiroz, são alvo de operação da PF

Nova fase da Lava Jato apura suspeita de tráfico de influência no STJ e no TCU com desvio de dinheiro do Sistema S.

Montagem/AFP/Getty Images
Cristiano Zanin, advogado de Lula, e Frederico Wassef, ex-advogado de Bolsonaro.

Em nova fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão contra advogados do ex-presidente Lula e ex-advogado do presidente Jair Bolsonaro. Os políticos não são investigados pela Operação E$quema S, que apura um suposto esquema de tráfico de influência no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no TCU (Tribunal de Contas da União) com o desvio de dinheiro público do Sistema S.

Estão na mira da PF Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, defensores de Lula, Frederico Wassef, ex-advogado de Jair Bolsonaro que escondeu em sua casa Fabrício Queiroz, e Ana Tereza Basílio, que defende o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

Zanin e Teixeira são acusados de liderar o esquema e já se tornaram réus. Wassef é suspeito de atuar em outra frente dos desvios.

O dinheiro drenado para o suposto esquema totalizaria R$ 150 milhões do Sistema S (Sesc, Senac) do Rio de Janeiro. Segundo a Lava Jato, as entidades teriam destinado ao menos metade de seu orçamento anual para contratar escritórios de advocacia. 

As firmas teriam usado parte desses recursos para pagar propina a agentes públicos, conforme delação do ex-presidente da Fecomércio Rio Orlando Diniz, que ficou preso por 4 meses em 2018. 

Na época, Diniz foi preso por suspeita de integrar organização criminosa, suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção. Além presidir a Fecomércio, ele presidia o Sesc e o Senac do Rio de Janeiro.

De acordo com a Folha, escritórios de parentes de ministros do STJ e TCU do Rio, em São Paulo e em Brasília, também são alvo da operação. Entre eles, estão os escritórios do ex-ministro do STJ César Asfor Rocha e o filho Caio Rocha, do advogado Eduardo Martins, filho do presidente do STJ, Humberto Martins, e de Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz.

Ao todo, são 50 mandados de busca e apreensão. Não há nenhum mandado de prisão. 

“O esquema incluía o uso de contratos falsos com escritórios daqueles acusados ou de terceiros por eles indicados, em que serviços advocatícios declarados não eram prestados, mas remunerados por elevados honorários”, disse o MPF em comunicado.

As investigações apontaram que os recursos desviados seriam usados na compra de bens de alto valor e de luxo por integrantes do grupo.

“Aportes em favor dos escritórios vinculados aos denunciados foram contemporâneos às aquisições de carros e imóveis de luxo no país e no exterior, em franco prejuízo ao investimento na qualidade de vida e no aprendizado e aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores do comércio no Estado do Rio”, afirmou o MPF.

Na nota, o Ministério Público disse que a operação desta quarta não representa a criminalização da atividade advocatícia, mas visa “imputar crimes a pessoas que abusaram do seu status profissional”.

“O MPF está exercendo sua atividade funcional também constitucionalmente prevista”, afirmou.