OPINIÃO
26/09/2019 04:00 -03 | Atualizado 26/09/2019 04:00 -03

'Ad Astra' acerta ao manter os pés no chão mesmo viajando pelo espaço sideral

Estilo clássico de James Gray e atuação estóica de Bad Pitt são as bases da melhor ficção científica de 2019.

Há vários vídeos no YouTube que brincam com a possibilidade de um cineasta X dirigindo um filme que não tem absolutamente nada em comum com seu estilo. Tipo, Os Vingadores de Tarantino ou Uma Linda Mulher de Scorsese. 

Por mais absurdos que possam parecer exercícios como esse, uma questão semelhante surgiu à cabeça de muita gente quando Ad Astra - Rumo às Estrelas foi anunciado. Como seria uma ficção científica dirigida por James Gray, um cineasta com uma pegada tão clássica?

Gray é um diretor muito respeitado por seus pares e possui um fiel séquito de fãs, mas não é tão conhecido do grande público. E muito disso se deve ao estilo de seu cinema, que pode ser erroneamente classificado como antiquado.

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De tirar o fôlego, perseguição de carros na Lua é uma das sequências mais originais de Ad Astra. O filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (26).

Ele até surpreende em ótimas sequências de ação em Ad Astra, como uma incrível perseguição de carros na lua, mas é a precisão no jeito tradicional de se contar uma história que o salva um gênero que pode parecer tão fora de seu elemento. Mesmo que emule obras de pegada mais filosófica como Solaris (1972) e 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968), Ad Astra segue um caminho bem mais rígido e conciso, sem “viajar” muito.

A trama só escorrega quando se rende à falsa ideia de que há algo “maior”, à grandiloquência tão comum nesse tipo de filme. Mas a rédea curta de Gray não deixa que ele caia de vez em tentação. Sua história é uma jornada pessoal do astronauta Roy McBride (Brad Pitt), uma pedra de gelo com braços e pernas que confunde o dever com viver. 

Aliás, falando em Brad Pitt… Este é o seu ano. Se o ator já havia brilhado intensamente como o parceiro de Leonardo DiCaprio em Era Uma Vez em Hollywood, como o protagonista de Ad Astra ele entrega, muito provavelmente, a melhor performance de sua carreira.

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Brad Pitt é Roy McBride, o astronauta mais cool do universo.

McBride é um engenheiro espacial militar filho de um astronauta lendário, H. Clifford McBride (Tommy Lee Jones), comandante de uma missão em busca de vida extraterrestre que sumiu junto com sua tripulação há 30 anos. Ao ser convocado para uma reunião, Roy é informado que a causa de grandes descargas de antimatéria que podem dizimar a humanidade têm origem na nave comandada por seu pai, presa na órbita de Netuno. Sua missão é ir até Marte, o posto mais avançado dos terráqueos, para mandar uma mensagem e descobrir se seu pai está mesmo vivo.

Pode parecer maluquice, mas Ad Astra tem muito mais a ver com Apocalypse Now do que com outros filmes de ficção científica, como Interstellar (2014), com que será obviamente comparado. A relação de Roy e Clifford McBride lembra muito a do capitão Willard com o insano coronel Kurtz. A diferença é que enquanto Willard encontra o inferno, Roy descobre a esperança.

Dito tudo isso, a resposta à questão colocada lá no começo do texto é a seguinte: Ad Astra - Rumo ao Espaço pode não ser uma obra prima do gênero, mas é um ótimo filme e James Gray se sai muito bem levando seu estilo clássico à ficção científica.

O filme estreia no Brasil nesta quinta-feira (26).