COMPORTAMENTO
30/11/2019 00:00 -03

Acumuladores: Por que guardamos tantas coisas que não precisamos

Acredite, fazer uma limpeza em sua casa pode ser mais libertador do que você imagina!

denozy via Getty Images
Acumular coisas e deixá-las desorganizadas pode ser sinal de transtorno mental.

Não tem jeito. Todo final de ano é a mesma vontade de arrumar a casa toda, liberar espaço e organizar os itens que realmente importam. E é nesse momento que sempre bate o questionamento: afinal, por que guardamos tanta coisa de que simplesmente não precisamos?

As caixas, papéis, objetos e até mesmo roupas ocupam espaço e deixam a casa difícil de organizar. Em alguns casos, esse hábito pode se tornar uma condição grave.

Em 2013, o apego e a necessidade de acúmulo material foram reconhecidos como uma condição no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos da Saúde Mental (DSM-5).

Essa condição tem aspectos semelhantes ao transtorno obsessivo-compulsivo, por exemplo. 

O distúrbio de acumulação, como é classificado, foi colocado ao lado de outros comportamentos obsessivos e repetitivos exibidos por pessoas que sofriam de distúrbio dismórfico corporal, tricotilomania (retirada de pelos e fios de cabelo) e até transtorno de escoriação (automutilação).

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, cerca de 6% da população americana é acumuladora obsessiva — e isso traz muitos impactos no dia a dia das famílias. 

Mas será que você se encaixaria nesse perfil? E como funciona o nosso cérebro por trás de tanta necessidade de acúmulo?

Segundo as autoras do livro Conquer the Clutter, Elaine Birchall e Suzanne Cronkwright, é preciso diferenciar os motivos que te levam a tanto apego.

O apego sentimental é uma das principais razões pelas quais as pessoas não querem se desfazer de certas coisas. Por exemplo, lembranças de um relacionamento que terminou ou um momento gostoso na vida de alguém podem significar algo tão especial para a pessoa que ela tem dificuldades de seguir em frente.

Porém, isso não é saudável porque a gente simplesmente desaprende a viver no presente e se apega a uma memória do passado.

Em determinados casos, o apego está mais relacionado à apreciação do apelo estético de certos objetos. Por exemplo, pode ser o caso de pessoas viciadas em arte que adquirem peças interessantes e decoram excessivamente sua casa. Embora isso possa parecer normal para eles, qualquer pessoa que olha aquele ambiente de fora vai notar a confusão que está.

Também há pessoas que desenvolvem um relacionamento quase que de dependência com determinados itens. Por exemplo, aqueles que desejam reduzir o desperdício e querem encontrar um uso para tudo em sua casa, só para não ter que descartar nenhum elemento. 

De acordo com as autoras, o objetivo por trás da compreensão dos padrões de acumulação é ter consciência sobre esses hábitos e entender quais deles são nocivos ou não.

Com isso em mente, que tal separar um momento e fazer aquela faxina em casa? Pode ser libertador!