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05/09/2019 01:00 -03

Acreano leva ao Congresso 4,5 milhões de assinaturas pelo fim das queimadas na Amazônia

Em 13 dias, o jovem advogado Gabriel Santos de Souza reuniu apoiadores em mais de 20 países.

Yahisbel Adames/Change.org
Campanha pró-Amazônia de morador de periferia do Acre chega a Brasília.

“Eu sou do mesmo estado onde nasceu e morreu Chico Mendes [ativista ambientalista assassinado por fazendeiros em 1988] defendendo nossas florestas. Temos uma memória muito forte de como os ambientalistas foram e são tratados no Brasil”, protesta Gabriel Santos de Souza, morador da periferia de Rio Branco, capital do Acre, sobre os ataques que a maior floresta tropical do mundo vem sofrendo. Em tempo recorde de apenas 13 dias, o jovem advogado de 25 anos coletou 4,5 milhões de assinaturas, em mais de 20 países, para que o Congresso Nacional abra uma comissão e investigue o aumento das queimadas na Amazônia.  

Nesta quarta-feira (4), o advogado acreano deixou sua região natal, considerada o “coração da Amazônia”, para ir até Brasília entregar pessoalmente a senadores e deputados federais os milhões de assinaturas que integram sua campanha em defesa da Floresta Amazônica.

“A gente espera que essa pressão popular faça as coisas andarem porque não é só a biodiversidade e os ecossistemas que têm sido afetados pelas queimadas da Amazônia, mas toda a sociedade, principalmente as pessoas mais vulneráveis”, desabafa Gabriel.

O jovem advogado abriu a petição online na plataforma Change.org no dia 20 de agosto. A repercussão foi tão grande que a campanha atravessou fronteiras e encontrou apoiadores em diversos países, como Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, Peru, México e Chile. “A sociedade está fazendo a sua parte. Um jovem do Acre consegue mobilizar 4,5 milhões de cidadãos ao redor do mundo em torno dessa pauta”, comentou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), um dos parlamentares que receberam o abaixo-assinado. 

Além de Vieira, outros senadores também receberam a petição das mãos de Gabriel, entre eles o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Fabiano Contarato (Rede-ES), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Leila Barros (PSB-DF) e Jean Paul Prates (PT-RN), que também integram a comissão. 

“Eu moro em Rio Branco, no Acre, e a gente tem sofrido muito com as queimadas, com os problemas respiratórios de idosos e crianças”, destaca o advogado. “Eu fico muito feliz que a sociedade brasileira se organizou. A gente pede para que o Senado e a Câmara tomem providências, que ouçam o nosso clamor, que ouçam o que a sociedade tem dito”, disse Gabriel no momento em que mostrava aos parlamentares o resultado de sua campanha.

Ainda nesta quarta, o acreano ganhou importante apoio de uma conterrânea para levar adiante a mobilização. A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República nas últimas eleições, Marina Silva, recebeu o jovem advogado e, além de elogiar a iniciativa da campanha, deu a ele um conselho: “A História é feita por quem resiste. Não podemos nos deixar vencer”, disse Marina, também lembrando-se de Chico Mendes. 

Yahisbel Adames/Change.org
Gabriel Santos entrega a Marina Silva abaixo-assinado da Change.org.

O surgimento da campanha

Às 15 horas do dia 19 de agosto o dia em São Paulo pareceu virar noite. Em pleno meio da tarde o céu escureceu como resultado de uma combinação de partículas de fumaça das queimadas florestais com uma frente fria que se espalhou pelo Brasil, chegando ao Sudeste. Na ocasião, Gabriel postou um desabafo em suas redes sociais sobre o problema das queimadas na floresta. O post viralizou e motivou o acreano a lançar a mobilização em defesa da Amazônia no dia seguinte. 

“O assunto é urgente e necessário”, enfatiza Gabriel comentando que as pessoas que se juntaram à causa “representam a preocupação de toda uma geração com o futuro do planeta e com a qualidade de vida na Amazônia”. De acordo com estatísticas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), somente no mês passado uma área equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol (29.944 km²) foi queimada na Amazônia. 

A expectativa do advogado é que os milhões de assinaturas recolhidos na mobilização online pressionem os parlamentares a instalarem a “CPI das Queimadas” no Senado e outra na Câmara dos Deputados para investigar a razão do aumento dos incêndios florestais que, segundo Gabriel, além de causas naturais, podem ter origem criminosa decorrentes de práticas da grilagem e da ação de agricultores e fazendeiros para a criação de pasto. 

Os próximos passos 

Na última terça-feira (3), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) anunciou ter conseguido 33 assinaturas de parlamentares para que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) seja aberta no Senado, restando ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, colocar a proposta em pauta. “De alguma forma essas mais de 4,5 milhões de assinaturas [da petição] reforçam a necessidade de instalação de uma CPI nesta Casa”, falou Randolfe na ocasião. 

Já por parte das Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia anunciou há duas semanas que uma comissão externa seria criada para acompanhar as queimadas, além de uma comissão geral para avaliar a situação e propor soluções ao governo. Para continuar pressionando a instalação das CPIs, Gabriel mantém a petição aberta na plataforma Change.org, recolhendo ainda mais assinaturas.

A mobilização do acreano integra o movimento #AmazonDefenders, que reúne 50 petições de diversos países, com 12,7 milhões de assinaturas, em defesa da Amazônia. 

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.