OPINIÃO
24/07/2020 11:27 -03 | Atualizado 31/07/2020 08:12 -03

'A Barraca do Beijo 2' é uma evolução muito por conta do talento de Joey King

Jovem atriz de 20 anos é um dos poucos destaques do filme que é bem melhor que o original, mas isso não quer dizer lá muita coisa.

Mesmo ignoradas pelos grandes estúdios de Hollywood atualmente, as comédias românticas - principalmente as voltadas ao público teen - são a galinha dos ovos de ouro da Netflix. Detonada pelos críticos, mas um grande hit entre fãs adolescentes, A Barraca do Beijo (2018) é um dos maiores expoentes dessa tendência mercadológica da plataforma de streaming.

E eis que nesta sexta (24), a Netflix estreia A Barraca do Beijo 2, que, surpreendentemente, é bem melhor que o filme original. Não que isso seja lá grande coisa. Pelo menos a trama é bem menos sexista que a de seu antecessor, e isso sim é uma grande coisa.

Parece que a Netflix ouviu as críticas - A Barraca do Beijo é um dos originais da plataforma mais mal avaliados no Rotten Tomatoes, com apenas 17% de aprovação - e os claros sinais dos novos tempos, e baixou o tom do machismo, apresentando uma história mais divertida e bem menos agressiva com relação aos personagens femininos.

Já no que diz respeito à diversidade... Bom, aí A Barraca do Beijo 2 continua devendo muito em relação a outras produções recentemente lançadas pela Netflix, como The Old Guard e Cursed - A Lenda do Lago. O filme escrito e dirigido por Vince Marcello continua sooooo white. Até tenta introduzir, (MUITO) de leve, um romance gay, mas não chega nem a sonhar em estar aos pés da série Sex Education, essa sim uma ótima trama adolescente, bem escrita e naturalmente diversa, que também faz muito sucesso na plataforma.

Em A Barraca do Beijo 2, o bad boy arrependido (será?) Noah Flynn (Jacob Elordi) vai estudar em Harvard, a milhares de quilômetros de sua namorada, a doce Elle Evans (Joey King), que tenta ser “adulta” e encara a distância com naturalidade. Mesmo que esse não seja o caso.

Com a volta às aulas, ela e seu melhor amigo, Lee (Joel Courtney), irmão mais novo de Noah, começam a organizar a Barraca do Beijo que fez tanto sucesso em uma festa da escola. O maior candidato a principal atração da brincadeira é Marco (Taylor Zakhar Perez), um aluno novo que logo se transforma no galã do colégio.

Convencida por Noah a  tentar uma vaga em uma universidade em Boston, onde ele está vivendo agora, Elle precisa levantar uma grana para os estudos e resolve entrar em um concurso do fliperama Dance Dance Revolution, mas seu parceiro Lee se machuca e ela terá de resistir aos charmes de Marco, que acaba fazendo dupla com ela na competição.

Até aí, tudo bem, porque Elle é completamente apaixonada por Noah, mas quando ela descobre que o namorado tem uma nova amiga super atraente, Chole (Maisie Richardson-Sellers), começa a ficar complicado segurar seus sentimentos com relação a Marco.

De todas as melhoras em relação ao primeiro filme, Joey King se destaca. Muito provavelmente depois que a jovem atriz, de apenas 20 anos, pôde mostrar todo o seu talento na excelente (e bem sinistra) minissérie The Act. Ela está bem mais solta como Elle e assim como sua personagem aprende ao longo da história de A Barraca do Beijo 2, quando alguém está se divertindo em uma performance, o resultado é muito melhor.

No entanto, mesmo sendo uma evolução com relação ao filme original, A Barraca do Beijo 2 está longe de ser um bom exemplo de comédia romântica teen, como As Patricinhas de Beverly Hills (1995) e 10 coisas que eu Odeio em Você (1999), por exemplo. Mesmo que esses dois marcos do gênero na década de 1990 às vezes também pegassem um pouco pesado nos clichês e estereótipos.

Mas, convenhamos, seu público alvo não está nem um pouco interessado nessas detalhes e é certo que A Barraca do Beijo 2 será um dos grandes hits da Netflix no ano. Mesmo assim, é bom ver que a plataforma, mesmo nesses seus caça níqueis, parece estar interessada em melhorar um produto de sucesso. E já que é visível que teremos um A Barraca do Beijo 3, que continue nesse caminho.