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12/02/2019 10:39 -02 | Atualizado 12/02/2019 11:06 -02

O adeus dos amigos, familiares e admiradores ao jornalista Ricardo Boechat

“É óbvio que ele é insubstituível, mas vamos tentar tocar o barco”, disse o apresentador da BandNews FM Eduardo Barão, com a voz embargada, ao lado da cadeira vazia de Boechat.

Amigos, familiares e admiradores se despedem desde a noite de ontem do jornalista Ricardo Boechat, 66 anos, morto em acidente de helicóptero na segunda-feira (11). As homenagens foram além do velório, que ocorre no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, o programa, que era apresentado pelo jornalista na BandNews FM, entrou ao ar nesta terça-feira (12), em clima de choro.

“Muito obrigado a todo mundo que está ligado na BandNews FM nesta dura manhã de terça-feira, dia 12 de fevereiro de 2019. O primeiro jornal da BandNews FM sem Ricardo Boechat. É óbvio que ele é insubstituível, não há como compará-lo com nenhum outro jornalista do País, mas a nossa missão vai continuar. Eu estou me agarrando muito no que o Boechat sempre falou: ‘toca o barco, Barão’. E a gente vai tentar tocar”, disse o apresentador Eduardo Barão, com a voz embargada, ao lado da cadeira vazia de Boechat. 

Barão anunciou que a cadeira do jornalista será aposentada. A emoção também foi parte do Café com Jornal, da Band. Emocionado, o jornalista Luiz Megale dedicou o programa ao amigo. 

“Acho que falo por todos aqui, quando digo que a gente está acordando hoje sem nosso chão, sem nossa referência, sem nosso exemplo, e, principalmente, sem meu migo, meu padrinho, meu segundo pai”, disse Megale.

Velório

O velório teve um toque extra de sensibilidade com as palavras da esposa do jornalista, Veruska Boechat.

“Meu marido era o ateu que mais praticava o mandamento mais importante de todos, que era o amor ao próximo, porque sempre se preocupou com todo mundo, sempre teve coragem. E é muito difícil fazer o que ele sempre tentou fazer. Então, com erros e acertos, como qualquer pessoa, mas tenho muito orgulho dele”, disse a jornalistas, segundo o G1.

Uma das homenagens mais bonitas foi a de taxistas que colocaram placas de táxi sobre o caixão.

O presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad, e o governador de São Paulo, João Doria, destacaram o profissionalismo do jornalista. “Tinha uma graça e um jeito de fazer jornalismo que não vai ter outro”, disse Saad. “O jornalismo perde uma referência, pela grandeza com que conduziu seu trabalho, com amor e compaixão, e com muita isenção também”, acrescentou o governador. 

Também estiveram presentes no velório o prefeito Bruno Covas e os apresentadores do MasterChef Érik Jacquin e Henrique Fogaça.

Acidente

Além de Boechat, morreu no acidente o piloto do helicóptero, Ronaldo Quattrucci. Eles não resistiram a queda da aeronave no Rodoanel, em uma tentativa de pouso. O helicóptero chocou com um caminhão, que tinha acabado de passar pelo pedágio e estava em baixa velocidade. O motorista do caminhão, João Francisco Tomanckeves, teve ferimentos leves. À polícia, de acordo com o Estadão, Tomanckeves relatou que quando viu a aeronave não teve tempo para frear ou desviar.

O helicóptero era um modelo Bell Jet Ranger, prefixo PT-HPG, de 1975. O piloto, que morreu no acidente, era sócio-proprietário da empresa à qual o Bell Jet está registrado. Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que o helicóptero estava em situação regular, com os documentos válidos. O Certificado de Aeronavegabilidade (CA) é válido até maio de 2023 e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) até maio de 2019.

As investigações estão sob responsabilidade do  4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV), órgão regional do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), do Comando da Aeronáutica. Ainda não se sabe o que levou ao pouso forçado.