ENTRETENIMENTO
16/12/2019 03:00 -03

As 7 séries originais da Netflix mais subestimadas de 2019

As séries que você não devia ter deixado passar batidas, mas por algum motivo deixou.

Nicola Goode/Netflix
Kingsley Ben-Adir em "The OA".

A Netflix lançou um número enorme de séries de alta qualidade este ano sob sua rubrica Originais. Parece que houve um fluxo constante de séries novas e imperdíveis, tantas que ficou difícil escolher o que assistir em qualquer semana dada.

Desse modo, várias séries de alto nível se perderam no meio do dilúvio de conteúdo. Por isso estou voltando atrás para recomendar algumas séries originais da Netflix que não ganharam o reconhecimento merecido e que valem a pena ser vistas antes do final do ano.

Algumas delas passaram tão despercebidas que a Netflix as cancelou. Outras vão retornar para mais uma temporada, mas não receberam a atenção crítica que mereciam. Vale a pena dar uma segunda chance a todas elas.

Continue a ler para ver as recomendações e assistir aos trailers.

Ji Sub Jeong/HuffPost

Amigos da Faculdade

Barbara Nitke/Netflix
Keegan-Michael Key, Jae Suh Park, Cobie Smulders, Zack Robidas e Nat Faxon em "Amigos da Faculdade".

Detalhes: Nesta comédia, um grupinho de amigos da faculdade continuam a se encontrar sempre mesmo mais tarde, quando estão com 40 e tantos anos. Apesar de agora terem mais dinheiro e supostamente mais juízo, eles ainda participam de trapalhadas imaturas. Pelo fato de viverem em Nova York, é fácil para eles se alternarem entre a vida profissional respeitada durante o dia e bebedeiras, drogas e encontros passageiros durante as longas noites.

O elenco principal inclui Billy Eichner, Nat Faxon, Keegan-Michael Key, Annie Parisse, Fred Savage, Cobie Smulders e Jae Suh Park.

Amigos da Faculdade tem 16 episódios de 30 minutos, divididos em duas temporadas.

É subestimada porque: a Netflix cancelou a série depois de apenas duas temporadas. Como já escrevi anteriormente, a primeira temporada de Amigos da Faculdade não foi boa. Mas a segunda foi um reboot total, e a série deu certo ao enfocar o tom cômico, em lugar dos relacionamentos telenovelescos vistos na primeira temporada. A presença de um elenco carismático de atores cômicos converte esses episódios em um deleite para se assistir, mesmo que a série não tenha grande coisa a dizer em termos dramáticos.

Trailer:


TW Com Killer Mike

Netflix
Killer Mike e El-P em "TW Com Killer Mike".

Detalhes: Killer Mike é uma das metades do duo de hip-hop Run the Jewels. Nesta série documental ele vivencia vários experimentos mentais que visam ilustrar rupturas na economia e no sistema político dos EUA. No primeiro episódio, por exemplo, ele tenta passar vários dias comprando apenas produtos criados e vendidos por negros. Mas a tarefa se torna quase impossível, em vista de quem são os donos dos meios de produção e distribuição nos Estados Unidos.

Killer Mike apresenta todos os episódios.

TW Com Killer Mike teve uma temporada de seis episódios de aproximadamente 25 minutos cada.

É subestimada porque: a Netflix ainda não renovou a série para uma segunda temporada, e ela recebeu pouca atenção da crítica. Killer Mike faz um trabalho fenomenal ao ilustrar problemas poucos divulgados da comunidade negra americana. Esta série documental é cheia de humor e leveza, uma raridade para um programa que trata de questões tão sérias. A preocupação evidente de Killer Mike com essas causas impede seu esforço jornalístico atípico de ser visto como superficial.

Trailer:


The OA

Nicola Goode/Netflix
Liz Carr e Kingsley Ben-Adir em "The OA."

Detalhes: Neste suspense misterioso, um grupinho de pessoas aprendem acidentalmente como se deslocar entre dimensões. Outros então tentam explorar essa habilidade para obter ganhos pessoais. A descoberta desse poder leva a outras descobertas estranhas sobre o universo. Cabe a um grupo improvável tentar elucidar esses novos mistérios antes que figuras perversas corrompam a própria vida.

O elenco é grande, mas tem alguns nomes estelares, incluindo Kingsley Ben-Adir, Brit Marling, Phyllis Smith e Zendaya.

The OA tem 16 episódios de 60 minutos cada divididos em duas temporadas.

É subestimada porque: a Netflix cancelou a série após apenas duas temporadas. The OA parece ter uma base de fãs devotos, mas a Netflix teria decidido que ela não é grande o suficiente. Eu achei que a primeira temporada não merecia muita atenção, mas a segunda temporada talvez tenha sido a série mais estilosa vista na televisão este ano. A direção e a fotografia são fenomenais na segunda temporada; perder-se nesse mundo misterioso é uma tentação.

Trailer:

 
Cara Gente Branca

Lara Solanki/Netflix
Antoinette Robertson, Logan Browning, Ashley Blaine Featherson e Marque Richardson em "Cara Gente Branca."

Detalhes: Nesta comédia, universitários que estudam numa faculdade prestigiosa militam em causas de justiça social numa era que parece ser cada vez mais destituída de esperança. As primeiras duas temporadas enfocaram mais os manifestantes estudantis se esforçando para fazer uma diferença, mas a recente terceira temporada se concentra mais em perguntar “qual é o sentido de tudo?” Os personagens não acreditam mais que possam influir sobre qualquer coisa, por isso começam a se preocupar em cuidar deles mesmos e lutar por sua sobrevivência pessoal.

O elenco é grande, mas alguns dos nomes que se destacam são Logan Browning, Giancarlo Esposito, DeRon Horton, Marque Richardson e Antoinette Robertson.

Cara Gente Branca tem 30 episódios de cerca de 30 minutos cada, divididos entre três temporadas.

É subestimada porque: A terceira temporada recebeu muito menos elogios da crítica que as primeiras duas. Acho que a terceira temporada foi mal compreendida. As primeiras duas temporadas foram fáceis de elogiar, na medida em que mergulharam nas complexidades dos problemas de justiça social, com personagens fortes que estavam à altura da tarefa de mergulhar nessas complexidades. A série atual merece ser aplaudida por ter ficado ainda mais complexa e contado a história de um mundo mais realista, onde ninguém tem as respostas e a energia emocional se esgota. Talvez isso torne as histórias menos convincentes, mas a terceira temporada refletiu a sensação assustadora e horrível de se viver em 2019 de modo mais convincente do que qualquer outra coisa que vi este ano.

Trailer:


Larry Charles’ Dangerous World Of Comedy

Netflix
Larry Charles em "Larry Charles' Dangerous World of Comedy."

Detalhes: Larry Charles é um comediante que escreveu roteiros de Seinfeld e dirigiu filmes como Borat. Nesta série documental ele percorre o mundo para localizar humoristas trabalhando nos lugares mais áridos e improváveis. Charles mostra como o humor é algo que existe em toda parte e que o humor é ainda mais necessário nas partes do mundo onde há mais sofrimento.

Larry Charles apresenta todos os episódios.

Larry Charles’ Dangerous World of Comedy teve uma temporada de quatro episódios com cerca de 60 minutos de duração cada.

É subestimada porque: a Netflix mal divulgou essa série e ela parece ter passado despercebida pela crítica especializada. Apesar de sua temática, ela deveria agradar às pessoas de fora do mundo do humor. Nunca vi nenhuma série documental que funde comédia e tragédia em altas doses desta maneira. Em última análise, Larry Charles... mostra a profunda riqueza da experiência humana em todas as partes do mundo, apesar dos relatos constantes sobre situações de perigo e desespero.

Trailer:


Special

Netflix
Ryan O’Connell, Punam Patel e Augustus Prew em “Special.”

Detalhes: Nesta comédia baseada na autobiografia de Ryan O’Connell, I’m Special, O’Connell representa uma versão fictícia dele próprio – um homem gay com paralisia cerebral que tenta compreender sua própria identidade. Inicialmente ele não revela às pessoas que tem paralisia cerebral, dizendo que anda mancando em decorrência de um acidente de carro. Numa sátira da mídia contemporânea, o personagem de O’Connell trabalha para um site de mídia semelhante ao Thought Catalog, um site para o qual O’Connell escrevia.

O elenco principal inclui O’Connell, Marla Mindelle e Punam Patel.

Special teve uma temporada com oito episódios de 15 minutos cada.

É subestimada porque: a Netflix ainda não anunciou uma segunda temporada desta série. Eu apreciei tremendamente o fato de os episódios durarem 15 minutos, graças ao qual a série parecia algo do YouTube (isso faz sentido, em vista do elenco e das semelhanças de tom com o projeto do YouTube The Gay and Wondrous Life of Caleb Gallo). A série toda tem a duração aproximada de um longa-metragem. Imagino que a Netflix vá fazer mais experimentos desse tipo em 2020.

Trailer:


Tuca & Bertie

Netflix
Cena da série de animação "Tuca & Bertie" .

Detalhes: Nesta comédia animada, dois amigos íntimos, pássaros antropomórficos, vivem numa cidade de pássaros. Mesmo já tendo mais de 30 anos, eles ainda fazem praticamente tudo juntos. Esse fato começa a provocar um atrito existencial no relacionamento deles, já que ambos percebem que querem começar a dar mais atenção a relacionamentos românticos e suas carreiras profissionais, buscando um sentido maior na vida.

O elenco de voz principal inclui Tiffany Haddish, Ali Wong e Steven Yeun.

Tuca & Bertie tem dez episódios de 25 minutos, formando uma temporada.

É subestimada porque: a Netflix cancelou esta série após apenas uma temporada. Embora as séries desta lista não estejam classificadas em um ranking, eu diria que Tuca & Bertie é de longe a série mais subestimada de 2019. E ela faz parte dos meus cinco shows favoritos da Netflix deste ano. Sua criadora, Lisa Hanawalt, foi responsável pela estética singular do sucesso da Netflix BoJack Horseman. Uma empresa que fosse justa a deixaria continuar produzindo Tuca & Bertie por tempo indeterminado.

Trailer: