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07/09/2019 10:32 -03 | Atualizado 07/09/2019 15:28 -03

7 de Setembro: Eleitores respondem a Bolsonaro e lotam Esplanada com verde e amarelo

A maioria de quem apareceu em preto, e até vermelho - cor que remete ao adversário PT -, relatou ao HuffPost ter sido uma simples “escolha de roupa”.

Debora Álvares/HuffPost Brasil
Eleitores de Bolsonaro: Bruno Lima (camisa Brasil e óculos escuro) e a esposa Mariana Lima, com a filha de 3 meses no colo e a família.

Verde, amarelo, azul e branco, mas também preto, vermelho, cinza, rosa, listrados, floridos. Deu de tudo um pouco nas arquibancadas da Esplanada dos Ministérios na manhã deste sábado (7), no desfile do 7 de setembro, na cerimônia da Independência do Brasil. Ao olhar mais fixamente, porém, nota-se claramente a predominância do verde e amarelo, um pedido do presidente Jair Bolsonaro

O mandatário, que ampliou a cerimônia, instalando mais telões, arquibancadas, assim como os gastos - passou de RS 816,8 mil em 2018, para R$ 971,5 mil -, e até determinou tema este ano - Vamos valorizar o que é nosso - foi respondido por seus eleitores. Mesmo quem apareceu em preto, e até vermelho - cor que remete ao adversário Partido dos Trabalhadores -, relatou ao HuffPost ter sido uma simples “escolha de roupa”. 

Debora Álvares/HuffPost Brasil
Edgar Vieira, de 41 anos: eleitor de Bolsonaro não conseguiu ir de verde e amarelo para cerimônia do 7 de setembro. 

“Eu não achei minha camisa da Copa, estava atrasado, e vim assim mesmo”, contou Edgar Vieira, 41, pintor. Ele chegou ao desfile “atrasado, correndo”. Morador de Ceilândia, bairro do Distrito Federal a cerca de 31 km da Esplanada, Vieira relatou dificuldades em achar vagas - toda a região próxima foi interditada desde sexta (6) e só se podia estacionar nos anexos dos ministérios. A esposa e os dois filhos, um de 12, outro de 2, também não estavam nas cores da bandeira brasileira, mas de preto e vermelho. 

Como Edgar, o professor de Educação Física Bruno Lima, 30, e sua esposa Mariana Lima também votaram em Bolsonaro.

Eles moram no Rio, mas já estavam em Brasília e fizeram questão de comparecer ao desfile, mesmo com a bebê de três meses no colo. Chegaram cedo, antes das 8h, para garantir um lugar na arquibancada. “Viemos em um grupo de nove pessoas, para ver um primo desfilar e, é claro, prestigiar”. 

Debora Álvares/HuffPost Brasil
Visão das arquibancadas do desfile que ficaram cheias na manhã deste sábado (7). 

Claro que entre as mais de 20 mil pessoas esperadas - até 13h deste sábado, o Palácio do Planalto ainda não havia divulgado o balanço final da estimativa do público presente -, nem todos eram eleitores de Jair Bolsonaro e estavam ali para prestigiá-lo. 

Aldeir da Conceição, 32, vendedor, era um deles. Com seus três isopores com água e refrigerantes - “Nem consegui vender tudo”-, conta que não votou no Bolsonaro, porque não acredita “tão fácil nas pessoas”. “Você está vendo alguma coisa melhorar? Porque para mim não melhorou nada. E pelo que eu acompanho ai, só vai piorar”. 

Morador da Vila Planalto, bairro vizinho ao Palácio da Alvorada, onde mora o presidente, Aldeir reclamou dos preços no mercado e disse que está mais difícil para criar os dois filhos pequenos. Preferiu não se identificar na foto, “porque, você sabe... A gente que é pobre sempre sofre mais perseguição”. 

Até 9h40, de acordo com o Exército, não houve registros de tumultos.

As arquibancadas cantaram com o Corpo coreográfico e banda do CCI de Samambaia, que apresentou a música Whisky a go go, do Roupa Nova, e também com a banda Arte Jovem de Ceilândia, com o pout pourri de Abalou e Festa, de Ivete Sangalo.  

Antes do início do desfile, às 9h, ouvia-se gritos de “mito” e muitos “Bolsonaro, cadê você, eu vim aqui só pra te ver”, que se repetiram ao longo das duas horas e quarenta de duração do evento.