POLÍTICA
06/04/2019 08:39 -03

57% dos brasileiros desprezam comemoração do golpe de 64, diz Datafolha

O desprezo à comemoração do último 31 de março é maior entre os mais jovens, mas escolarizados e mais ricos da população.

O presidente Jair Bolsonaro comemorou no último 31 de março o golpe de 64, data que marcou o início da ditadura militar. A comemoração polêmica, contudo, não teve apoio pela maioria da população brasileira, de acordo com uma pesquisa Datafolha. 

De acordo com a pesquisa publicada no jornal Folha de S. Paulo na madrugada deste sábado (6), 57% dos brasileiros dizem que a comemoração de 55 anos do golpe militar de 1964 deveria ser desprezada. Por outro lado, 36% disseram que a data merecia ser comemorada e 7% não souberam responder. 

A pesquisa, feita entre a última terça-feira (2) e quarta- feira (3), contou com 2.086 pessoas de 130 municípios do Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. 

A pesquisa teve como principal pergunta: “Na sua opinião, essa data deveria ser comemorada ou despreza?” 

Entre os entrevistados, o desprezo à data do golpe é maior entre os mais jovens, mas escolarizados e mais ricos da população. 

Entre os entrevistados que têm entre 16 e 24 anos, 64% são contrários à comemoração, enquanto o percentual chega a 67% entre pessoas que têm ensino superior e 72% entre pessoas com renda mensal superior a dez salários mínimos. 

Já pessoas com mais de 60 anos, que têm ensino fundamental e os que têm renda mensal familiar de até dois salários mínimos foram mais favoráveis à comemoração da data. 

Outro recorte curioso da pesquisa é que a maioria dos evangélicos ― grande base do eleitorado de Bolsonaro ― disse ser contra a comemoração do golpe: 53% desejavam ter desprezado a data, enquanto 39% gostaria de ter comemorado. 

Pessoas de outras religiões (católicos, espíritas e adeptos de religiões afro-brasileiras) também se manifestaram contra a comemoração.