OPINIÃO
03/07/2015 17:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

UFABC é pichada e alunos respondem: vai ter diversidade, sim

Em um período de 10 dias, a UFABC viu o banheiro do refeitório e um elevador virarem espaço de agressão e preconceito. Num campus considerado gay friendly pelos ativistas, apareceram pichações como "Vai ter homofobia, sim", "Viado vai morrer" e "Cadê a carregada preta? (sic)".

Foto: divulgação/Prisma

Amanda Castro, 20 anos, moradora da Mooca, zona leste de São Paulo

Em um período de 10 dias, a UFABC viu o banheiro do refeitório e um elevador virarem espaço de agressão e preconceito.

Num campus considerado gay friendly pelos ativistas, apareceram pichações como "Vai ter homofobia, sim", "Viado vai morrer" e "Cadê a carregada preta? (sic)".

A multiplicação do preconceito foi percebida com mais força depois que um aluno respondeu em cima de uma das frases "A homofobia tem que morrer e o amor prevalecer" e postou na página do Facebook da Universidade Federal de São Bernardo do Campo.

Entidades que lutam contra a discriminação dizem que essa é uma realidade comum no ambiente escolar e universitário. "Todos os dias tomamos conhecimento de episódios de homofobia, violência e preconceito. Não só dentro das universidades, mas também das escolas", diz Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo Arco-Íris, que defende os direitos LGBT.

As pichações da UFABC também não foram o primeiro episódio de homofobia na universidade. Em festas e na "Segredos", página do Facebook em que informações anônimas sobre a universidade são postadas, houve manifestações de preconceito contra gays, conta a galera do Prisma.

Resposta

Em resposta, alunos e entidades espalharam frases como "Vai ter diversidade sexual, sim" e "#UFABC sem LGBTTTIFOBIA". Essas ações e reações ajudam a explicar a volta à ativa da Prisma, que defende a diversidade de sexo, gênero e sexualidade e foi criada em 2009.

A Prisma, apontada diretamente nas pichações e que teve uma integrante ameaçada na rua perto da facul, denunciou os atos à reitoria. Uma das primeiras atitudes por parte da universidade foi organizar um evento em que várias entidades se posicionaram contra as ameaças e a homofobia, no dia 26 de junho.

As ações foram consideradas insuficientes pela Prisma: acharam curta a fala de dois minutos do pró-reitor e esperavam alguma solução. Eles pedem que seja feita uma investigação da Polícia Federal.

A reitoria diz que não é possível ter uma investigação da PF no campus porque a homofobia não é um crime específico e diz ter aberto uma sindicância para descobrir quem são os responsáveis. A universidade afirma ainda ter acompanhado os alunos até a delegacia especializada (a Decradi) para fazer o boletim de ocorrência e ficou à disposição para colaborar com investigações.

União

O caso na UFABC mobilizou coletivos de várias causas contra a homofobia e o preconceito racial. Um ato na universidade uniu coletivos como o Feminista Claúdia Maria e o de esquerda Nosotrxs, entre outros.

Mas para resolver questões como essa, é preciso ir um pouco mais a fundo na estrutura da lei e do ensino, dizem os ativistas.

"A primeira ação é tornar crime todos os atos de lesbo, homo e transfobia em nosso país, assim como a lei do racismo é uma realidade hoje que pune severamente quem comete racismo. Não podemos mais permitir que pessoas morram por conta de irracionalidade de pessoas preconceituosas em nosso país", afirma Marcelle, da Arco-Íris.

Os membros da Prisma defendem que é importante a escola tratar da diversidade, e ela deve estar incluída nos planos de ensino.

Foto: reprodução/Facebook

Denúncia

A denúncia é uma ferramenta fundamental para que novas ações violentas sejam evitadas, porque não se pode combater ameaças e preconceitos sem formalizar o que aconteceu. É a partir daí que são feitas as investigações e punições.

Marcelle diz que muitas vítimas de preconceito não denunciam por entenderem que isso pode colocá-las em risco. Também há medo de conflitos com a família, que em muitos casos não apoiam esses indivíduos.

Por telefone, é possível fazer a denúncia no Disk-100, número do Ministério Público para casos de violação de direitos humanos. Também é muito importante levar casos de homofobia às delegacias e fazer boletim de ocorrência.

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