OPINIÃO
31/03/2015 16:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Tudo o que a antena captar meu coração captura

Certa vez me perguntaram, numa aula do meu curso técnico de Roteiro para Mídias Digitais, qual havia sido o momento mais marcante que eu havia presenciado na frente da televisão. Pensei em títulos do meu time, todos os "Powers Rangers" vermelhos juntos e diversas outras cenas a que assisti. No entanto, a lembrança televisiva que mais me chamou atenção ocorreu no dia 11 de setembro de 2001.

Por Lucas França, 17, do Méier, Rio de Janeiro

Certa vez me perguntaram, numa aula do meu curso técnico de Roteiro para Mídias Digitais, qual havia sido o momento mais marcante que eu havia presenciado na frente da televisão. Pensei em títulos do meu time, todos os "Powers Rangers" vermelhos juntos e diversas outras cenas a que assisti. No entanto, a lembrança televisiva que mais me chamou atenção ocorreu no dia 11 de setembro de 2001.

Eu estava vendo TV Globinho, estava no finalzinho do último episódio de "DragonBall Z" e, do nada e assustadoramente, o desenho desapareceu e entrou no ar um avião atravessando um prédio, explodindo tudo.

Eu só tinha quatro anos, era uma criança, mas confesso que até hoje sinto um desconforto quando lembro daquilo. Talvez, por eu ser uma criança, algo tão grande e explosivo como foi o atentado tenha me assustado muito. Minhas emoções e sensibilidades foram alteradas.

O atentado de 11 de setembro é apenas um exemplo de como é possível se emocionar com algo que está muito distante da gente, mas que parece próximo pelas imagens transmitidas pela TV. Também podem ser citados momentos como as passeatas de 2013, nas quais o Brasil se comoveu e se juntou contra a corrupção. Nelas, quase toda a informação e a organização foram feitas por meio das mídias, como a televisão e, principalmente, a internet, pelo Facebook ou por fóruns online.

A TV também permitiu que o público presenciasse o fatídico e caótico jogo Brasil x Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo de 2014: 7 x 1 para a Alemanha em plena casa brasileira. A TV acabou com o dia, com o mês seguinte ao jogo. Durante dias e dias, só se falava nisso. Na internet, vídeos, infográficos e tudo mais sobre o jogo.

Até que ponto a mídia afeta o indivíduo? Para mim, ela toca no ponto mais profundo do ser humano e de diversas maneiras possíveis. Não se medem esforços hoje em dia para que, seja na TV ou na internet, as pessoas sejam tocadas e afetadas pelo conteúdo que recebem. Nos encontramos num grande "looping" de informação e distribuição. Algo acontece, as pessoas querem saber mais. As mídias sabem dessa necessidade de "conhecimento" e espalham as informações. No entanto, fazem isso de uma maneira que "toque" o espectador, de propósito, com a tentativa de emocionar.

Peço licença para parafrasear Descartes. No "boom" tecnológico e midiático no qual vive-se atualmente, o "penso, logo existo" passou a ser "sinto, logo existo". E os meios de comunicação sabem muito bem disso.