OPINIÃO
07/07/2015 15:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

Sua história vale muito

Pense na história de sua vida. Olhe para o lado e veja seu amigo, ele também tem uma história. Agora vá na rua, para o lugar mais movimentado que você encontrar. Toda essa quantidade de gente é um grande amontoado de histórias, uma mais espetacular que a outra. Verdadeiras tramas cinematográficas.

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Por Lucas França, 17, do Méier, Rio de Janeiro

Sou um apaixonado por cinema e um dos meus filmes preferidos é "Big Fish", de Tim Burton, o mesmo que fez "A Noiva Cadáver" e "Edward Mãos de Tesoura".

Diferentemente de outros filmes sombrios desse diretor, "Big Fish" conta, de forma colorida e alegre, a história de um rapaz que quer conhecer mais sobre seu distante pai através das histórias que ele contava. Isso é um exemplo da metalinguagem no cinema: um filme que conta a história de um homem através de histórias dele mesmo. Pode parecer confuso, mas é brilhante.

Sem dar "spoiler" (eu acho), a última fala do filme é o que nos interessa. Depois de tudo o que acontece no decorrer do longa, temos a seguinte mensagem: "Um homem conta tantas vezes suas histórias, que se torna uma delas. E desse jeito se torna imortal". É hora de explorar essa ideia.

Pense na história de sua vida. Olhe para o lado e veja seu amigo, ele também tem uma história. Agora vá na rua, para o lugar mais movimentado que você encontrar. Toda essa quantidade de gente é um grande amontoado de histórias, uma mais espetacular que a outra. Verdadeiras tramas cinematográficas.

Exemplificando, posso contar a história da minha mãe. Filha de pais separados, começou a trabalhar com 12 anos para ajudar na casa em que morava com sua avó. Cresceu, estudou por conta própria, viajou o país trabalhando na área da arquitetura. Nova e mulher, sofreu todo tipo de desrespeito e foi subestimada por muitos. No entanto, venceu. Quando eu nasci, largou tudo só para cuidar de mim, afinal, um filho nascido de 7 meses não é qualquer coisa. Conforme eu fui crescendo, ela percebeu que eu poderia ir me virando e novamente abriu mão de tudo, seguiu seu próprio caminho e se tornou artesã, aquilo que sempre quis e amou.

Todo mundo tem aquele acontecimento na vida que, se um dia, sem pretensão nenhuma, for contado para alguém, terá como resposta "Ei cara, isso aí daria um filme hein!'.

Digamos que essa frase tenha sido dita e o filme veio a existir. Pense em "Cidade de Deus", por exemplo, a obra de arte do cinema nacional. Intrínseco e assustador apenas mostrando a realidade de uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro. "Carandiru" também, que emocionou o Brasil e o mundo contando a história do maior presídio do país e suas mazelas, desde a violência interna até a alta quantidade de presos soropositivos. Esses filmes são culpas de grandes fatos e a vontade de contá-los.

O pensamento de que somos só pessoas vivendo uma vida comum e sem sal é retrógrado. Todo mundo tem algo de diferente, surpreendente.

Tenha ouvidos atentos e sensibilidade para ouvir as histórias de quem está ao seu lado. E não se esqueça daquilo que é o mais fascinante: enquanto as histórias vão se construindo por aí, a sua também cresce e ganha novos capítulos. Ela é você quem escreve e entrelaça.

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