OPINIÃO
19/10/2015 18:43 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

'Rodei' no Enem, mas me joguei na vida e aprendi mais que nos livros

Continuo querendo entrar na faculdade e ter um diploma. Agora, na reta final do Enem, estou estudando mais pois todos os professores do cursinho estão falando que este ano a prova vai tá mais difícil!

Estadão Conteúdo/Arquivo

Por Maryane Silva, 19 anos, moradora de Diadema, na grande São Paulo

Um ano depois de perder a prova do Enem por chegar 10 minutos atrasada, eu não consegui atingir os 450 pontos mínimos em ciência da natureza pra entrar numa faculdade. Fiquei chateada.

Eu tinha passado 2014 inteiro fazendo cursinho. Trabalhava na parte da manhã, tinha aulas à tarde e, apesar de ter pensado em prestar vários vestibulares, resolvi apostar só no Enem pra tentar o curso de relações públicas.

Fiz a prova o mais tranquila que pude, mas comecei a ficar aflita depois que saiu o gabarito. O resultado das provas de ciências da natureza tinha sido ruim. Ainda assim, tentei manter a esperança até ver o resultado final: não dá pra calcular a nota sozinho: "calma, Maryane", eu me dizia.

Quando saiu o resultado oficial, pirei. O resultado de matemática foi suficiente, mas em ciências da natureza ficaram faltando 7 pontos para atingir os 450. Pra completar, meu contrato de jovem aprendiz - um contrato especial de trabalho pra quem tem entre 14 e 24 anos e está no ensino médio - acabou. Fiquei sem emprego.

Fiquei bem triste, mas depois de pensar muito, vi que não adiantava ficar triste: tinha de começar tudo de novo.

Sem grana, me matriculei no cursinho popular, com aulas só aos sábados, mas o dia todo. Durante a semana, iria estudar em casa. O ano não seria moleza e dependeria só de mim.

Ainda no começo do ano, num intervalo dos estudos e com vontade de aprender mais do que o Enem pede, descobri o curso de jornalismo da Énois.

Fui dividindo meu tempo entre a prova e o jornalismo. Todas as quartas-feiras à tarde, largava as apostilas e ia ouvir jornalistas de meios de comunicação diferentes e entender um pouco mais o que pode virar minha profissão. Fui dividindo meus pensamentos com a galera incrível que aparece naquela agência-escola.

Quando vi, estava fazendo matérias para a Na Responsa! e largando o cursinho e os livros por duas semanas para mergulhar no Jogo da Política e viajar no Ônibus Hacker, de São Paulo até Brasília, pra testar (e aprender) um jeito pra ensinar isso nas escolas e nas ruas.

No que era pra ser um ano de espera, um intervalo na vida, eu me joguei e descobri muito mais que os livros. Não está sendo fácil estar fora da universidade - ainda mais quando lembro que estou à beira dos 20 anos. Só que não me fechar pro que rolou, me abriu possibilidades de fazer outro caminho.

Assim como eu, tem uma galera falando de como está encarando o Enem na série #MandaBemNoEnem, que estamos fazendo na Na Responsa!

A vida é um aprendizado, não aprendemos somente em uma cadeira de universidade. Precisei levar uns "nãos" do Enem para aprender mais sobre área de comunicação.

Continuo querendo entrar na faculdade e ter um diploma. Agora, na reta final do Enem, estou estudando mais pois todos os professores do cursinho estão falando que este ano a prova vai tá mais difícil!

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