OPINIÃO
27/02/2015 18:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Hackers na Armênia

Meio acanhado, porém muito empolgado em participar daquela aventura, fui me envolvendo em conversas paralelas que aconteciam dentro da Kombi Hacker, a kombi dos sonhos de qualquer garoto de 20 anos. Aos poucos fui entendendo que aquela não seria apenas uma visita a uma creche no bairro da zona norte de São Paulo. Era algo muito maior. Eu estava a caminho de fazer parte da história daquelas crianças, sendo um novo personagem na vida delas. Assim, me tornei Tuiuiu e passei a integrar o LabHacker.

Por Tiago Tuiuiu, morador de Figueira Grande, zona sul de São Paulo

Todo mundo tem um dia de sorte. O meu aconteceu em uma das oficinas produzidas pela Énois. Foi quando recebi o convite para participar de um passeio muito diferente: ser contador de histórias em uma das "Invasões Hacker" (trabalho itinerante de ensino a partir de novas vivências, organizado pelo LabHacker).

Meio acanhado, porém muito empolgado em participar daquela aventura, fui me envolvendo em conversas paralelas que aconteciam dentro da Kombi Hacker, a kombi dos sonhos de qualquer garoto de 20 anos. Aos poucos fui entendendo que aquela não seria apenas uma visita a uma creche no bairro da zona norte de São Paulo. Era algo muito maior. Eu estava a caminho de fazer parte da história daquelas crianças, sendo um novo personagem na vida delas. Assim, me tornei Tuiuiu e passei a integrar o LabHacker.

LabHacker?

Criado em 2014, o Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, também conhecido como LabHacker, é um ponto de encontro entre ideias e ações, onde jornalistas, gênios da computação, engenheiros, gastrônomos e estudantes são convidados a participar da construção colaborativa de boas práticas sociais.

O objetivo é criar um espaço onde pessoas com diferentes conhecimentos possam desenvolver, através da tecnologia, a inclusão da sociedade civil nos processos políticos de maneira transparente.

Hoje, o espaço, que tem apoio da prefeitura de São Paulo, atende ao público de diferentes formas. O telecentro fornece computadores e internet para todos do bairro da Armênia. Já o ponto de cultura promove eventos, como as invasões hacker e a oficina de manutenção de bicicletas. O espaço também conta com uma biblioteca com 800 livros e diferentes jogos, desde littlebits (brinquedo para ensinar eletrônica básica) até jogos de tabuleiro, disponíveis para o público.

"O LabHacker incentiva crianças e adultos a serem mais autônomos em relação à tecnologia", diz Cecilia do Lago, jornalista e frequentadora do LabHacker. "Quando um cara instala um software livre no computador dele, isso o incentiva a ser mais independente. O software livre permite que você participe do processo de construção da ferramenta, e não apenas consuma o produto final."

O projeto "Pajés Digitais" vai oferecer, a partir de março, oficinas de software livre em pontos de cultura de toda capital, fazendo a manutenção de máquinas e capacitando os usuários a realizarem a automanutenção dos softwares.

O "Ciclo de Oficinas Hackers" acontecerão dentro e fora do LabHacker. As oficinas internas são destinadas a jovens de 12 a 17 anos, que desenvolverão a compreensão crítica do mundo digital e hacker em suas novas mídias, criando jogos e aplicativos que promovam a transformação social. Já as oficinas externas não possuem público definido e serão realizadas em praças públicas através das chamadas Invasões Hacker.

Pequenos hackers

A partir do dia 2 de março, as crianças também terão seu próprio mundo nesse universo hacker. O projeto "Planeta Lab" vai oferecer oficinas onde elas terão contato com a cultura, modo de vida e curiosidades de diferentes países. A partir dos conhecimentos aprendidos sobre cada país, serão incentivadas a criar suas próprias poesias. E, em bate-papos, conhecerão e realizarão atividades práticas relacionadas a cada profissão.

Todas as atividades realizadas pelo LabHacker são gratuitas e abertas a pessoas de qualquer idade. Basta fazer a inscrição no próprio Lab, os menores, é bom lembrar, precisam de autorização dos responsáveis.

Mais informações: lab.thacker.com.br - Rua Alfredo Maia, 506 - Luz (perto do metrô Armênia)