OPINIÃO
16/10/2015 18:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Como convenci minha mãe a fazer uma tatuagem comigo

Ele também tem várias outras: homenagem ao samba, ao Flamengo, nomes dos filhos, tudo que influência a música dele de alguma forma está presente não só na mente como no corpo. Parece uma loucura boa - e dá até pra ser em família.

Por João Vitor Rocco, 18 anos, morador de Barueri, zona oeste da região metropolitana de São Paulo.

Eu tenho 18 anos e poderia muito bem ir a até um estúdio fazer uma tatuagem sem avisar meus pais. Só que eu não queria fazer desse jeito. Queria convencer minha mãe a se tatuar comigo.

Achei que seria difícil, não sabia muito como fazer isso. Aí imaginei que se soubesse como outros pais e outros filhos pensavam, falavam e faziam tatuagens, seria mais fácil. Eu também queria entender o lado da minha mãe.

Eu poderia aprender isso falando com as pessoas e fazendo uma matéria e foi assim que fiz a reportagem "É tatuagem, não é briga", sobre como falar sobre tatuagem com os pais.

Minha mãe sempre comentou que tinha vontade de fazer tatuagem. Quanto a mim, disse sempre que eu podia fazer desenhos e usar alargador quando tivesse resolvido a questão da grana.

Conversando, sentimos que a hora dos dois tinha chegado e resolvemos fazer uma tatuagem juntos.

Tinha de ser algum desenho que tivesse significado para nós. Escolhemos a palavra "paz", que tem muito a ver com nossa crença espiritual e com as mudanças que já vivemos, a necessidade de aceitar o que vem.

No meio dessa investigação sobre o mundo de fora e o meu mesmo, me veio um medo de que essas expressões poderiam ser uma doença, um excesso. Eu já tenho um alargador, agora queria fazer tatuagem. Estava tudo certo?

Resolvi perguntar isso pruma psicóloga. Será que exagerar na dose dos desenhos e adornos pode ser sinal de loucura?

A psicóloga Sônia Cristina da Costa Souza, se formou em 1986 pelas Faculdades Metropolitas Unidas, é especializada em psicologia social e desenvolve projetos com famílias em vulnerabilidades social.

Ela me disse que louco, não, mas se a quantidade for muito grande, pode ser um descontrole, sim.

"Hoje em dia, vemos muitas pessoas bem-sucedidas economicamente, celebridades, com exagero de tatuagens e adornos corporais. Penso que podem ser bem neuróticas, que apresentam um exagero no comportamento."

Lembrei do Marcelo D2 e suas tatuagens. Tem uma que diz "gentileza gera gentileza", um jeito de encarar a vida, uma corrente do bem.

Ele também tem várias outras: homenagem ao samba, ao Flamengo, nomes dos filhos, tudo que influência a música dele de alguma forma está presente não só na mente como no corpo. Parece uma loucura boa - e dá até pra ser em família.

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