OPINIÃO
18/11/2014 12:19 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

10 maneiras de se sentir mais mulher e menos mãe

Conheço muitas mulheres que adoram ficar em casa, de pijama pós-parto, curtindo o relaxamento e a falta de pretensão. Mas eu preciso de pretensão. Precisava me sentir uma pessoa real, mesmo que na verdade fosse uma máquina leiteira.

Emily Ballard

Gosto de me vestir. Não: preciso me vestir. A 'Tendência da Mãe de Roupa de Ioga' parece confortável, e preto sempre é chique, mas não dá para mim. Fica ótimo em você, prometo. Mas não serve para mim.

Descobri isso quatro anos atrás, quando meu filho era bebê. Me vi usando roupas arrumadinhas mesmo quando não tinha de ir a lugar nenhum. Conheço muitas mulheres que adoram ficar em casa, de pijama pós-parto, curtindo o relaxamento e a falta de pretensão. Mas eu preciso de pretensão. Precisava me sentir uma pessoa real, mesmo que na verdade fosse uma máquina leiteira. Para mim, a maneira de me vestir sempre foi uma expressão de quem sou, mesmo que o estilo mude com o tempo. Visto uma saia e uma camisetinha estampada e fico na poltrona de amamentar até minha bunda ficar adormecida. E daí? Minha bunda pode estar dormindo, mas estou bem vestida.

Recentemente decidi que não seria absurdo nem egoísmo da minha parte considerar a ideia de tomar banho todos os dias. Acho que uma grande parte da população faz o mesmo, certo? Sei que nem todas as mães se enquadram nesse grupo, mas decidi contrariar a estatística. No começo, parecia uma obrigação terrível: o banho diário, ficar toda molhada, depois me secar, me perguntar por que diabos as crianças estavam tão quietas. Mas vou dizer que foi ótimo me sentir limpa e saber que estava cuidando de mim mesmas. Que eu - pasme! - também importava um pouco.

A partir daí, decidi entrar no jogo. Eis minha lista de dez coisas que me fazem sentir mulher, não só mãe.

1. Depilação. Falamos de banho acima, mas, queridas, não se esqueçam de se depilar. Se você não se depila, tudo bem, pode passar para o próximo item. Mas eu com certeza sou parte do time das depiladas, e descobrir que cinco minutos a mais no banho eram suficientes para raspar as pernas e as axilas foi como descobrir a eletricidade. Não preciso de festa ou casamento como desculpa - você pode se depilar só porque gosta de pernas lisas. Que tal?

2. Manutenção de sobrancelhas. Sério, se eu não tomasse cuidado teria uma só sobrancelha. Na verdade, tirar as sobrancelhas com pinça foi a único cuidado que mantive de forma consistente desde os tempos de pré-adolescente. Se você não tem pinça, corra para a farmácia agora. Não custa caro, e você vai me agradecer, prometo. Sobrancelhas limpas e de aparência natural me fazem sentir muito melhor. Além da pinça, uso delineador (que não sei passar direito) e recentemente comecei a definir as sobrancelhas com lápis. Aí eu uso um pincelzinho especial para finalizar essa "definição" e, finalmente, termino o processo com o que é basicamente um rímel transparente. O processo todo leva cerca de 47 segundos e me faz me sentir muito europeia. Eu gosto.

3. Jeans de cintura alta. Uns anos atrás, decidi que uma sala contígua ao nosso banheiro seria meu estúdio. Quando fiz essa declaração, o piso, que já é velho, estava cheio de rachaduras, sapatos, roupas de inverno e (provavelmente) traços de tinta à base de chumbo. Estava preparada para jogar tudo no lixo, passar um aspirador e instalar minha mesa. Mas meu marido, um homem habilidoso e amável, insistiu que consertaria o espaço para mim. Eu reclamei, sabendo que faria tudo mais rápido. Mas agora meu estúdio está demais, lindo e perfeito. Nem lembro quanto tempo passei dizendo "Mas será que eu não deveria comprar uma mesa da IKEA?". Fico feliz só de saber que meu estúdio existe. E quando estou lá, escrevendo (como agora), fazendo coisas ou simplesmente mudando as coisas de lugar PORQUE POSSO, me sinto uma pessoa real. As paredes têm lindas obras de arte infantis, a fase Picasso deles. Tento manter as crianças fora do estúdio porque o espaço é MEU. Achem um armário, um canto e fiquem por lá, meninas.

4. Estabeleça seu próprio espaço. Há alguns anos eu decidi que o quarto da bagunça do nosso banheiro seria meu escritório. Quando eu fiz essa declaração, o piso de madeira, antigo e quebrado, estava coberto de poeira, sapatos, equipamentos para o inverno e, provavelmente, restos de tinta com chumbo. Eu estava preparada para jogar todas as coisas no lixo, passar um aspirador de pó e colocar a minha mesa lá. Meu marido, um homem habilidoso e a quem eu amo, insistiu que ele iria "recriar" o espaço para mim. Eu reclamei, sabendo quanto tempo leva para uma mulher de carpinteiro ter um trabalho concluído em sua própria casa. Mas meu escritório é tão fod* e maravilhoso e totalmente perfeito que eu honestamente não consigo nem lembrar quantos meses eu precisei dizer coisas gentis como "Eita, será que não é mais fácil eu comprar uma mesa da IKEA?". Só de saber que meu escritório existe, já fico feliz. E quando eu estou aqui, seja escrevendo (como estou agora), fazendo coisas ou simplesmente mudando objetos de lugar PORQUE EU POSSO, eu me sinto como uma pessoa de verdade. Tem algumas artes infantis nas paredes aqui, é verdade, mas é tipo... os desenhos no nível Picasso, só. Eu tento manter as crianças longe daqui, porque esse espaço é MEU. Encontre um closet, um cantinho, um quarto da bagunça, que seja, e façam isso por vocês, mulheres!

5. Cor dos lábios. Meus lábios têm a mesma cor da minha pele. É estranho, eu sei. Se não colocar uma cor, pareço morta. Nunca soube passar batom de modo a parecer natural, então sou devota do lip stain. Ele fica no lugar e não borra - e parece que esfreguei beterraba nos meus lábios, aparentemente o look que eu quero. Meu favorito é da The Body Shop e agora, por custo e conveniência, uso um da Rite Aid que cumpre sua função por menos de 4 dólares. Mesmo que você não tenha lábios de cadáver, vale a pena tentar. Lábios pintados fazem me sentir - adivinhou - mais arrumada, o que é claramente a tese deste post.

6. Sorria para as pessoas. Sou muito insegura - "E se aquela pessoa não gostar de mim? Por que ele não sorriu para mim? Ai, sou tão chata, todo mundo não vê a hora de que eu pegue meu café e vá embora" --, portanto me treinei para ser uma pessoa amigável; minha insegurança pode me deixar de cara fechada, parecendo uma grande v*ca. Para combater o problema da Cara de V*ca eu forço um sorriso. Me forço a acreditar nele, faço meus olhos sorrirem também. Tento sorrir para todas as pessoas com quem cruzo o olhar. Fico com medo se eles não sorriem de volta e fico me achando uma louca, sorrindo por aí. Mas adoro quando as pessoas sorriem para mim e dizem oi: acho que elas também gostam. Ser amistoso assim parece coisa de gente grande e me força a sair um pouco da minha cabeça e das minhas preocupações, o que é sempre uma coisa boa.

7. Uma boa bolsa. Não precisa ser cara. Mas precisa ser mais funcional do que todo o resto das suas coisas. Eu revezo entre duas, dependendo da quantidade de tranqueiras que esteja carregando. Uma é uma bolsa cinza gigante Martha Stewart for Staples, que eu amo porque cabe minha agenda gigante e alguns livros. Ela tem o número ideal de compartimentos e dá para enchê-la de besteiras sem que eu pareça um burro de carga. Outra é uma Bagallini colorida que eu amo. Meu detalhe favorito é um compartimento para protetor labial que fica bem perto do topo. Sou viciada em Karite Lips, o protetor labial mais caro do mundo, e guardá-lo em seu bolsinho próprio é puro luxo. Uma bolsa funcional é bom senso. E, quando você consegue passar da fase das bolsas de fraldas, uma boa bolsa é um pedaço de céu.

8. Postura ereta. Mano, minha postura é terrível. Quando me vejo em fotos, meus ombros curvados são a primeira coisa em que reparo. Trabalho nisso o tempo todo, mas ainda assim não consigo puxar os ombros para trás sem achar que estou oferecendo meus seios para o mundo numa bandeja. Que seja - uma boa postura dá imediatamente uma aparência de presença, classe e confiança. E quero tudo isso. Às vezes eu tenho todos esses atributos, mas minha postura não é compatível. Ocupe todo o espaço que o Universo te deu.

9. Ande com confiança. E não para quem está te olhando. Na verdade, nenhum dos itens desta lista é para os outros - eles são para nós e ninguém mais. Quando puxo meus ombros para trás e me pavoneio um pouco, me sinto maravilhosa. Presente. Sinto que estou sob controle. Me sinto confiante. Mostrar um pouco de vaidade não faz mal a ninguém. Pelo contrário, pode ser apenas a coragem de sermos nós mesmos.

10. Desrespeite as regras. Viu o que estou fazendo aqui? Disse que esta lista teria 10 coisas, mas ela tem 11. Porque não estou nem aí para as regras. Sério agora - você não precisa fazer as coisas como o resto do mundo. Sei que sua mãe disse que você tinha de respeitar as regras, e nós vamos fazer o mesmo com nossos filhos. Mas uma coisa estranha acontece quando viramos mães hoje em dia (e tenho certeza de que a culpa é da internet e seus "fatos"). Achamos que todo mundo sabe tudo e que nós fomos as únicas a nascer sem ter ideia do que fazer quando chega o bebê. O resultado é que nos adaptamos rapidamente às regras daqueles à nossa volta. E, quando mal percebemos, tiramos a cabeça da água, dizendo "Que. Diabos. Estou. Fazendo." Esse momento é importante. Tire a cabeça da água e decida que regras você vai seguir. E se você acabar desrespeitando as regras dos outros? Maravilha! Todo mundo pode aprender observando os outros fazendo as coisas. O mundo só melhora se as pessoas criam uma realidade externa que corresponda às suas realidades internas.

11. Lembre que você importa. Criar nossos filhos para que eles sejam cidadãos do mundo amáveis e estelares e, sem, dúvida, uma tarefa cheia de alegrias. E provavelmente é instintivos que façamos muitas coisas por eles. Sei que dou muito de mim para meus filhos. Mas precisamos abandonar a ideia de que ser mãe é sofrer, que dor e angústia são parte da equação. Sofri muito, completamente sem saber, durante os primeiros anos de maternidade. Não porque minhas crianças fossem idiotas, mas porque não percebi que a única maneira de continuar mulher - e não apenas mãe - seria decidir que eu também importo. Meus bebês importam, sim, e meu marido também, mas o mesmo vale para mim. E eu tinha esquecido disso. Parei de cortar o cabelo, de me depilar. O martírio da doação me deixou cada vez mais exausta emocionalmente. Isso é insustentável. E é um saco. Vista-se, se quiser, e separe um tempo para alisar o cabelo, se isso te fizer bem. Você importa. Não esqueça disso, OK?

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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