OPINIÃO
24/07/2014 15:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

O sistema público é...

Conheço pessoas cuja profissão resume-se a "concurseiro". Questionadas sobre o porquê de tamanha determinação, a resposta na maioria das vezes é "estabilidade". Isso me intriga e me enternece.

Em maior ou menor quantidade de vezes, é fato que todos em algum momento já precisaram lidar com o serviço público. E o grau de insatisfação com a qualidade desse serviço, se não unânime, é ao menos primaz nas reclamações a respeito da ineficiência dominante. Uma googlada simples e rápida confirma o senso comum nacional. Basta digitar "o sistema público brasileiro é" na caixa de pesquisa, e os predicativos subsequentes são: horrível, lento, ineficiente, deficiente, podre, deplorável etc.

Conheço pessoas cuja profissão resume-se a "concurseiro". Questionadas sobre o porquê de tamanha determinação, a resposta na maioria das vezes é "estabilidade". O que me intriga e ao mesmo tempo enternece é a concepção de estabilidade e a motivação que as levam a ingressar no serviço público; concepções e motivações essas que, via de regra, não incluem o cidadão que deveria se beneficiar de seu ofício - tampouco da qualidade deste serviço. Eis que nos deparamos constantemente com um sem-número de funcionários que não cumprem seus horários, tiram licenças abusivas, não cumprem metas - sequer as estabelecem -, agem com descaso, negligência e desrespeito frente a seus semelhantes (são cidadãos prestando serviços a cidadãos), realizam o trabalho de forma medíocre e, como é endêmico em nosso imaginário, distancializam todos os problemas que afligem a população, delimitando um círculo bem claro do qual todos eles estão excluídos. Não gosto de generalizar, e felizmente conheço pessoas que honram sua profissão, independentemente de qual seja o setor no qual atuem, mas, basicamente, o que sinto é vergonha, tristeza, sinto raiva e sobretudo impotência por saber que essa não é uma realidade que mudará com uma ou outra gestão partidária.

Isso há muito é constatável, e até mesmo amigos de infância e conhecidos de longa data, que assim como eu se serviram de diversas esferas da instituição pública e conhecem as suas mazelas, hoje também são servidores, servidores medíocres, que reproduzem um sistema de péssima qualidade, culpabilizando o mundo inteiro enquanto tiram férias fora de época. E eu fico me questionando até que ponto também não seria corrompível se também tivesse essa tal "estabilidade", já que muitas vezes a palavra é sinônimo de "tanto faz". Se de um lado temos um sistema privado exploratório, autoritário e abusivo, de outro temos um sistema flexível e um pouco mais humano - taxado até mesmo de paternalista - que em muitos casos não conta com o bom senso de quem o compõe.

Um grande estardalhaço pro meu velho cansaço.

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