OPINIÃO
18/09/2014 19:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

São Paulo adota bikes como meio de transporte urbano e estilo de vida

São Paulo experimenta agora o uso mais intenso da bicicleta. De uma hora para outra, surgiram ciclovias por todos os cantos da cidade. Quatrocentos quilômetros de ciclovias em uma única cidade é muita coisa.

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Vehicles pass by a lane dedicated to bicycles in Sao Paulo, Brazil, on Wednesday, Sept. 10, 2014. Bike lanes, new rules for drivers, tighter building laws and higher taxes -- all intended to make the metropolis of 12 million more livable -- sent Sao Paulo Mayor Fernando Haddads approval rating to as low as 15 percent in a July poll. Photographer: Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images

No Brasil, o carro sempre foi símbolo de status e de poder. Ter um carro é como se o cidadão conseguisse chegar a uma nova classe social, atingindo um padrão de vida que não tinha antes. Isso gera um uso intenso do automóvel no país e leva as ruas das cidades a ficaram intransitáveis, com congestionamentos monstruosos.

Pois agora a maior cidade do país, São Paulo, começa a quebrar este tabu. Primeiro é o rodízio de veículos na cidade - já existente há algum tempo em horários de pico (das 7 às 10h e das 17 às 20h) e de acordo com o final da placa dos veículos - que pode ser estendido agora para todo o dia, das 7 às 20h.

Depois, São Paulo priorizou as faixas exclusivas de ônibus. A cidade já tem 440 km destas faixas - 356 km construídas na gestão do atual prefeito, Fernando Haddad (PT). Isso fez com que os ônibus passassem a andar 68,7% mais rápidos do que antes. Anda-se mais rápido de ônibus na cidade do que de carro.

Mas a grande novidade que a mobilidade urbana de São Paulo experimenta agora é o uso mais intenso da bicicleta. De uma hora para outra, surgiram ciclovias por todos os cantos da cidade. Até o final de 2014, São Paulo terá 200 km destas faixas exclusivas para bicicletas - em 2015, serão 400 km.

Quatrocentos quilômetros de ciclovias em uma única cidade é muita coisa. Para se ter ideia do seu tamanho, é como se um ciclista fosse de São Paulo até a cidade do Rio de Janeiro por ciclovias. Além das ciclovias, São Paulo tem uma quantidade enorme de ciclofaixas, que só funcionam aos domingos.

O número de veículos na cidade de São Paulo, que tem 12 milhões de habitantes, é assustador: mais de seis milhões. Isso significa que há um carro para cada grupo de duas pessoas da cidade, incluindo crianças e idosos. As ciclovias podem fazer com que muita gente troque seus carros por bicicletas.

Além de ser um meio de transporte não poluente, a bicicleta contribui para que se tenha uma vida mais saudável (veja abaixo benefícios do uso da bicicleta). Por causa disso, a onda da bicicleta parece que começa a pegar em todo o Brasil. Em São Paulo, metrôs e trens já disponibilizam bicicletários para seus usuários.

Na periferia de São Paulo, trabalhadores vêm de bicicleta até estações de trens e metrô, deixam suas bikes nos bicicletários, e se deslocam a partir dali para seus locais de trabalho. Em bairros onde há mais ciclovias, trabalhadores vêm de bicicleta até o trabalho. Um meio transporte mais barato e muito mais saudável.

É claro que a onda das ciclovias deixou um rastro de protesto em São Paulo. O senador Aloisio Nunes (PSDB) chamou a instalação de ciclovias em seu bairro, Hegienópolis, um dos mais caros da cidade, de "delírio autoritário" do prefeito Haddad. Empresária ficou furiosa ao ver ciclovia passou diante de sua loja.

"Onde vou colocar minhas clientes milionárias que andam de carro importado?", perguntou. As reações são as mais absurdas possíveis. Uma professora universitária definiu o vermelho das ciclovias como "uma descarada propaganda do PT". Acionada, a Justiça não achou que o vermelho seja propaganda do PT.

É fato que estes protestos têm gerado reações contrárias de usuários de bikes e de pessoas que defendem as ciclovias como meio para desafogar o caótico trânsito de São Paulo. Já há até mesmo uma petição circulando na internet,já com milhares de assinaturas, apoiando a implantação de ciclovias na cidade.

O que São Paulo tenta fazer agora já é realidade em muitas cidades do mundo. Em Amsterdã, na Holanda, grande parte da população se desloca de bicicleta para o trabalho. Na capital da Dinamarca, Copenhague, um terço da população usa bikes, o que também ocorre em cidades como Berlim, na Alemanha.

É importante que, a exemplo de São Paulo, outras cidades brasileiras - sejam grandes, médias ou pequenas - sigam este mesmo caminho da bike. Também é de grande importância que se aperte o cerco contra motoristas que não respeitam o ciclista. Em São Paulo, há registro de uma morte de ciclista por semana.

Texto publicado originalmente no blog noBalacobaco.

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