OPINIÃO
26/05/2014 14:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O "Paredão de Jesus" volta às ruas de São Miguel do Gostoso e culto evangélico abusa do uso de som alto

E quando todos imaginavam que evangélicos de São Miguel do Gostoso tivessem adotado métodos mais civilizados, fazendo seus cultos com som moderado e sem incomodar a cidade, eis que a Assembleia de Deus voltou a usar o "Paredão de Jesus" neste domingo (25/5) e arrebentar ouvidos dos moradores da cidade.

Reprodução/noBalacobaco

E quando todos imaginavam que evangélicos de São Miguel do Gostoso tivessem adotado métodos mais civilizados, fazendo seus cultos com som moderado e sem incomodar a cidade, eis que a Assembleia de Deus voltou a usar o "Paredão de Jesus" neste domingo (25/5) e arrebentar ouvidos dos moradores da cidade.

"Paredão de Jesus" é como é chamado veículo com dezenas de caixas de som, sempre com volume altíssimo, que sai pelas ruas da cidade ou fica diante de templos evangélicos, reproduzindo os cultos. Neste domingo à tarde, um carro de som retransmitia, em som abusivo, o culto da Assembléia de Deus. A paz da cidade foi para o espaço.

A Assembleia de Deus fica na avenida dos Arrecifes, região central da cidade. Quem mora por perto, não conseguia descansar. O som era tão alto que, em algumas casas, não dava para conversar. Moradores procuraram este jornalista ou enviaram mensagens a este blog, reclamando desta enorme falta de respeito.

É normal que uma igreja evangélica resolva fazer seus cultos religiosos tirando o sossego da população? E se outras igrejas, como a Católica, resolvesse fazer o mesmo? A vida na cidade ia virar um inferno. Ninguém ia ter paz. O problema é que os evangélicos querem vencer e conquistar adeptos na base do grito.

E a polícia, e a prefeitura - não vão se manifestar? Antes, quando o policiamento da cidade era dirigido pelo subtenente Édson, ele impôs alguma ordem nesta falta de respeito dos evangélicos. Chegou até mesmo a apreender caixas de som e desligar um dos "Paredões de Jesus" que circulavam pela cidade.

Mas agora aparentemente a polícia tem feito muito pouco - e até por isso voltaram os abusos com o som ensurdecedor dos cultos evangélicos. As autoridades locais - e aí incluindo prefeitura, Câmara Municipal e polícia - precisam por ordem nesta bagunça. Ninguém aguenta mais esta falta de respeito.

Há pouco mais de um mês, a promotora da Comarca de Touros se reuniu em São Miguel do Gostoso com o pastor da Assembleia de Deus e com outros evangélicos. Entre eles estava Otoniel Baracho, que encaminhou à Câmara Municipal projeto para disciplinar todo o som da cidade, incluindo o dos evangélicos.

Nesta reunião, Otoniel chegou a dizer que o tal "Paredão de Jesus" era uma afronta à cidade, um verdadeiro "caso de polícia". Agora, que o desrespeito com os ouvidos alheios voltou a reinar, chegou a hora de providências serem tomadas. E os vereadores da cidade têm uma enorme responsabilidade nesta questão.

Qual é o motivo de o projeto encaminhado por Otoniel Baracho não caminhar? O próprio Otoniel já enviou ofício à Procuradoria do Município pedindo parecer sobre seu projeto. Mas aparentemente tudo continua na estaca zero. São Miguel do Gostoso precisa pressionar a Câmara para que este projeto seja aprovado.

Além de ser um profundo desrespeito à população local, o som estridente e desrespeitoso do "Paredão de Jesus" - como também de motoristas que transformam seus carros em espécies de "trios elétricos" - contribui negativamente para atividade turística de São Miguel do Gosto, principal fonte de renda da cidade.

Com o descontrole do som, principalmente de igrejas evangélicas, o turismo de São Miguel do Gostoso não vai para a frente. E por acaso as igrejas evangélicas vão dar os empregos e a renda que a cidade necessita para continuar crescendo? O disciplinamento é importante, incluindo para carros de publicidade.

No caso dos cultos evangélicos e do "Paredão de Jesus", estamos diante de um caso de intolerância religiosa. A Constituição brasileira garante a liberdade religiosa e a manifestação de todos os credos (foto), mas não permite a imposição de uma religião sobre as demais. Muito menos uso de som desrespeitos para conquistar adeptos.

Em tempo. Além dos evangélicos, em São Miguel do Gostoso, como de resto todo o Nordeste, reina a cultura do som alto. Há residências que ligam seus sistemas de som em volume altíssimo, prejudicando os vizinhos. Por isso é importante que a Câmara Municipal faça andar, já, o projeto de Otoniel Baracho.

Texto publicado originalmente no blog noBalacobaco.

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