OPINIÃO
26/10/2014 17:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Eleição de Robinson para governo do RN faz de Fátima Bezerra uma das maiores líderes políticas do Estado

A maior surpresa das eleições deste ano - talvez até em todo o Brasil - será a eleição de Robinson Faria (PSD) para o governo do Rio Grande do Norte.

rtietz/Flickr
O trabalho em São Leopoldo (onde fui President of the table) foi divertido, mas cansativo para um domingo. Nada como ver essa mensagem na urna eletrônica... mas depois ainda levar o material para apuração.

A maior surpresa das eleições deste ano - talvez até em todo o Brasil - será a eleição de Robinson Faria (PSD) para o governo do Rio Grande do Norte. Robinson está derrotando o todo-poderoso Henrique Eduardo Alves (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados e terceiro na linha sucessória do país.

Segundo pesquisa Ibope divulgada neste sábado (25/10), Robinson tem 54% dos votos válidos (excluídos nulos e brancos) contra 46% de Henrique. Há alguns meses, ninguém imaginava que Robinson - atual vice da governadora Rosalba Ciarlini, com quem é rompido - fosse capaz de se eleger governador.

Mas teve um fator que foi determinante para a provável eleição de Robinson, sua aliança com a senadora eleita Fátima Bezerra (PT). A ex-deputada petista - a mais votada nas últimas eleições do RN para a Câmara dos Deputados - teve importância fundamental na arrancada de Robinson para a vitória.

Na eleição para o Senado, Fátima teve mais votos do que os dois candidatos para governador no primeiro turno. Foi eleita com 808 mil votos, enquanto Henrique teve 702 mil e Robinson, 624 mil. Foi o prestígio de Fátima em todo o RN e seu impressionante peso eleitoral que puxaram Robinson para cima.

Além de coordenar a campanha de Robinson no segundo turno, Fátima conseguiu, ainda no primeiro turno, importante apoio para seu candidato. O ex-presidente Lula gravou no horário de TV de Robinson. A gravação foi exaustivamente reproduzida no horário de TV do candidato no segundo turno.

Fátima sai desta eleição como uma das maiores lideranças políticas do RN.

Formada em pedagogia e com atuação na rede pública de ensino potiguar, Fátima (na foto, com Robinson) teve destacado trabalho na área de educação do Rio Grande do Norte. Graças a ela, o governo federal construiu 21 unidades federais de ensino profissionalizante em municípios do Estado. Antes havia apenas duas destas escolas - uma em Natal e a outra em Mossoró.

O mais importante é que Fátima recebe os dividendos da maldade que Henrique fez com ela na definição da aliança para a disputa do governo e do Senado pelo RN. Havia um pré-acordo para que Henrique concorresse ao governo e Fátima ao Senado. Mas Henrique puxou de última hora o tapete da deputada petista.

No lugar de Fátima, Henrique preferiu ter a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) em sua aliança. Wilma queria concorrer ao governo, mas o peemedebista a convenceu a disputar o Senado, com o apoio de sua ampla coligação, que reunia 17 partidos - além do PMDB, PSDB, DEM, PDT e outros grupos políticos.

Traída por Henrique, Fátima foi à luta e se aliou a Robinson, que concorria ao governo. Mas até aquele momento ele não tinha a menor chance de ser eleito. A candidatura vitoriosa de Fátima para o Senado deu musculatura eleitoral a Robinson, que cresceu e chegou à eleição do segundo turno como favorito.

Foi Fátima quem deu o verniz de esquerda a Robinson, que ele não tinha. Mais que isso, facilitou a penetração da candidatura do PSD em setores progressistas. Fátima "colou" a campanha de Robinson ao da presidenta Dilma, que deve ter no RN mais de 70% dos votos válidos. Fórmula perfeita para ganhar eleição.

O apoio de Lula a Robinson gerou a insatisfação de Henrique e do PMDB nacional. Mas é fato que Henrique nunca morreu de amores por Dilma, Lula e o PT. No primeiro turno, o peemedebista escondeu Dilma do seu material de campanha. No segundo turno, ensaiou apoio ao presidenciável Aécio Neves (PSDB).

Agora Henrique está pagando por seus atos e ambiguidade política. A "rasteira" que ele deu em Fátima pode ser considerada uma das maiores trapalhadas da história política potiguar. Se fosse mantido o acordo anterior com a petista, ele teria sido eleito com muita facilidade no primeiro turno.

A derrota de Henrique corresponde ao preço do tamanho da sua esperteza. Fez uma aposta política errada e perdeu. A partir do próximo ano, ele fica sem a presidência da Câmara e o cargo de deputado, que detinha há mais de 40 anos.

Abaixo, links com resultados da última pesquisa para o governo do RN, bem como da disputa para presidente, na qual Dilma continua na liderança, embora com uma diferença menor. Veja ainda reportagens de outros jornais sobre a disputa potiguar, além de posts anteriores deste blog.

http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/25/ibope-robinson-psd-tem-54-e-henrique-alves-pmdb-46-no-rn.htm

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ibope-da-53-a-47-para-dilma-contra-aecio-datafolha-aponta-52-a-48/

http://jornalggn.com.br/noticia/ibope-da-53-para-dilma-e-47-para-aecio

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/158282/Ibope-53-47-Vox-534-465-Folha-52-a-48.htm

http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,psd-de-kassab-tenta-vencer-no-nordeste-com-nome-aliado-ao-pt,1582268

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-neves-as-medidas-impopulares-e-o-atraso/

http://nobalacobaco.blogspot.com.br/2014/10/pesquisa-no-rn-mostra-favoritimo-de.html

http://nobalacobaco.blogspot.com.br/2014/09/novas-pesquisas-no-rn-apontam-risco-de.html

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