OPINIÃO
14/03/2014 17:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Atos de racismo se intensificam no Brasil; jogadores negros e pessoas pobres são suas principais vítimas

Uma das manifestações mais abomináveis do ser humano é o racismo. Maltratar alguém devido à cor da pele é um ato de ódio. E o pior de tudo é que, por mais que se combata esta prática criminosa, atos de racismo têm se propagado nos últimos tempos no Brasil.

O país está cheio de ocorrências recentes de manifestações racistas que comprovam que o Brasil não tem nada a ver com a "Democracia racial" com que alguns estudiosos festejavam a miscigenação e a convivência das raças por aqui. Pois o Brasil é, sim, um país preconceituoso.

Os exemplos mais recentes de manifestações racistas ocorreram nos campos de futebol - e até por isso chamaram mais a atenção do Brasil. O jogador Tinga, do Cruzeiro, foi chamado de "macaco" por torcedores de um time do Peru. Arouca, do Santos, foi outra vítima deste ato de ódio.

O mais grave é que Arouca foi chamado de "macaco" por torcedores do time do Mogi Mirim, no interior de São Paulo. Mais. Em uma cidade do Rio Grande do Sul, o árbitro Márcio Chagas da Silva foi chamado de "macaco selvagem" e, em seguida, encontrou seu carro sujo de lama e coberto de folhas.

Nesta quinta-feira (13/3), a presidenta Dilma Rousseff recebeu Tinga e Márcio Chagas em Brasília e prometeu fazer campanha de combate ao racismo, durante a Copa do Mundo de Futebol, que começa em junho no Brasil. Arouca não pôde comparecer, mas enviou carta de incentivo à presidenta.

São muitos os casos de racismo que têm ocorrido no Brasil. No ano passado, um casal que comprava um carro em uma revendora da BMW, no Rio, viu seu filho de sete anos, negro e adotado, ser ofendido pelo gerente da loja. "Aqui não é lugar para você. Saia da loja", ordenou o gerente.

Por causa de outra manifestação racista, a Justiça obrigou a multinacional Walmart a indenizar um jovem negro que foi chamado de "ladrão sem vergonha" ao comprar leite em um dos seus supermercados, em uma cidade do interior de São Paulo. Muitos destes casos têm ido parar na Justiça.

E este é o caminho correto para qualquer pessoa que sofra discrimanações racistas. No caso do jogador Arouca, o estádio do Mogi Mirim pode ficar até um ano sem jogos de futebol - e os torcedores que chingaram o atleta estáo sendo identificados pela polícia e devem ser julgados e condenados.

As vítimas de preconceitos racistas estão tendo agora mais coragem de enfrentar seus agressores. O governo federal disponibilizou um número - o 156, opção 7 - para todas as pessoas agredidas por atitudes racistas. No Distrito Federal, o disque-racismo recebeu oito mil ligações em um ano.

O árbitro Márcio Chagas emocionou o Brasil que abomina o racismo. Em entrevista à TV, ainda impactado por ter sido chamado de "macaco selvagem, afirmou: "Tenho que mostrar ao meu filho a importância que eu, como pai, tive ao denunciar uma prática que ocorre continuamente no Brasil".

Os casos de racismo no Brasil têm chamado a atenção da ONU. Em visita ao Brasil, o senagalês Doudou Diène, relator da ONU sobre racismo, reconheceu que o racismo no país tem crescido. "O racismo certamente existe no Brasil e tem uma dimensão histórica considerável", afirmou.

Veja, nos links abaixo, mais informações sobre ocorrências e manifestações racistas recentes no Brasil, inclusive entrevista de Doudou Diène, da ONU, para a Revista Raça, sobre o racismo no país, e dados sobre a chamada "Democracia racial".

(Texto publicado originalmente no blog noBalacobaco)