OPINIÃO
05/11/2015 22:38 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Da cadeira de rodas rumo aos 5 km!

Ponto de partida: Hospital do Servidor Estadual, São Paulo, dia 28 de maio de 2008. Neste dia, fui diagnosticada com um abscesso cerebral em decorrência do lúpus. "Talvez ela nunca mais ande, talvez ela tenha que viver como um vegetal", disseram os médicos.

Do primeiro diagnóstico até hoje foi uma caminhada muito longa: mais 74 dias internada, três meses na cadeira de rodas e a perda de equilíbrio como resultado.

dia da alta

Fotos do dia da alta 11/08/2008

Houve também a fisioterapia na cama, os primeiros passos com o andador, as ginásticas na praça. Mas também teve muita vontade de viver, muita alegria, muita dança no sofá.

Durante esses sete anos, entre a descoberta do lúpus e a caminhada dos 5 km, aconteceu muita coisa: cai algumas vezes, mas nunca desisti. Desistir nunca foi uma palavra usada na minha vida. Tenho a alma competitiva, mas a competição é comigo.

Cadê aquela menina?

Que mesmo desanimada estava animando o mundo

Que lutava por tudo

Aquela menina guerreira, sorridente?!

Sim ainda estou sorrindo, mas é só pra deixar as pessoas felizes!

25/09/2008

Cheguei a ouvir de algumas pessoas "você não está se esforçando muito?!", "você poderia estar descansando" ou até mesmo "poderia ter tentado a aposentadoria por invalidez". Mas a voz da minha mãe, das fisioterapeutas, dos amigos dizendo para eu não desistir sempre foram mais altas do que aquelas que queriam me colocar para baixo!

"Não lembro dos meus primeiros passos, mas acho que ninguém lembra, mas a sensação de ficar de pé, só com o andador foi indescritível. Meus passos ainda não são firmes e decididos como os de antigamente, embora eu acredite que tudo vá melhorar!"

12/10/2008

Começo dos treinamentos

Comecei fazendo uma caminhada que estava acostumada a fazer na adolescência: voltar da escola a pé. São 3 km no total. Fui para o ponto de partida (a escola onde eu estudei a vida inteira) e senti aquele medo de não conseguir, de me decepcionar, mas fui lá e andei.

Conforme fui chegando à rua onde eu morava, comecei a chorar, passou um filme na minha cabeça e fiz 3 km em 1 hora, estava evoluindo bem.

Depois, mudei o local de treino para um parque perto de casa. No primeiro dia de treino dei só uma volta -- o equivalente a 1.525 m em 30 minutos. Gradativamente, fui aumentando a distância e diminuindo o tempo.

Uma semana antes da caminhada de 5 km, eu consegui fazer 6 km em 2 horas!

A prova dos 5 km

Já me sentia pronta para a prova, precisava estar bem tanto físico como psicologicamente. Poderia dar tudo certo como também poderia dar tudo errado.

Tentei não ficar ansiosa e fazer uma alimentação mais saudável. Às 6h manhã do dia 25 de outubro eu já estava de pé para a prova, marcada para começar às 8h.

E lá fomos nós (eu e o meu amigo "incentivador"). A prova fazia parte de uma campanha do Outubro Rosa organizada pela revista Mulher Determinada.

Eu já estava cansada antes mesmo de começar a prova, mas não ia desistir. Não naquele momento.

Nós fomos os últimos a terminar a caminhada, com tempo de mais ou menos uma hora e meia. Na chegada, uma voluntária da organização me chamou para receber a premiação "por ser uma mulher determinada e estar de parabéns pela minha luta".

podium

Eu ainda não sei descrever a sensação de estar no podium. Às vezes, acho que era uma outra pessoa que estava na cadeira de rodas sete anos atrás!

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo

todos nós podemos começar agora e fazer um novo fim" - Chico Xavier

Nesses anos eu descobri uma força que eu não sabia que eu tinha. Eu aprendi a ter paciência, a ser um pouco menos ansiosa, a não exigir demais de mim.

Espero ainda aprender muito mais e bora para os 10 km!

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