OPINIÃO
18/01/2015 10:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02

OMS rebate estudo que descreve câncer como 'questão de pouca sorte'

Autores do estudo dizem que as mutações são mais importantes do que fatores hereditários ou ambientais externos como poluição, cigarro ou substâncias minerais como o amianto. O argumento da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, é que há "contradições, limitações metodológicas e dados tendenciosos" no relatório.

Foto: Banco Mundial

A Organização Mundial da Saúde, OMS, rebateu conclusões de um estudo publicado este mês na revista Science que sugeriu que mutações aleatórias ou a "pouca sorte" são de uma forma geral as principais causas do câncer.

O argumento da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, é que há "contradições, limitações metodológicas e dados tendenciosos" no relatório.

Os autores do estudo, que compara o número de divisões de células-tronco em vários tecidos do corpo com o risco de contrair a doença são cientistas da Universidade John Hopkins e da Escola de Saúde Pública Bloomberg.

Eles defendem que as mutações são mais importantes do que fatores hereditários ou ambientais externos como poluição, cigarro ou substâncias minerais como o amianto.

Células-tronco

O fator aleatório está na forma de renovação dos tecidos do corpo. As antigas células são substituídas frequentemente através de células-tronco que se dividem para formar novas células. Mas em cada divisão está o risco de ocorrer uma mutação perigosa, aumentando a hipótese de a célula-mãe se tornar cancerígena.

Os autores acham necessário que as autoridades possam dar uma atenção maior ao diagnóstico antecipado em relação à prevenção.

O diretor do Iarc, Christopher Wild, afirmou que "concluir que o azar é a principal causa de câncer seria enganar ou desviar dos esforços para identificar as causas da doença e evitá-la de forma eficaz".

Nos últimos 50 anos, pesquisas epidemiológicas internacionais mostraram que a maioria dos casos de câncer frequentes em uma determinada população acabam sendo raros em outra.

África

Como exemplo, Wild citou o câncer no esôfago, muito comum em homens da África Oriental mas pouco visto no oeste do continente. O chefe do Iarc ilustra ainda o cado do câncer de colorretal, que já foi raro no Japão e aumentou 400% desde 1995. A OMS explica que, em princípio, esses tipos de câncer podem ser evitados.

Para os especialistas, apesar de ser do conhecimento público que o número de divisões celulares aumenta o risco de câncer, a maioria das principais causas da doença está ligada à exposição ao meio ambiente e ao estilo de vida.

A agência da ONU destaca que levando em consideração o conhecimento científico atual é possível prevenir quase metade dos casos da doença no mundo.

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