OPINIÃO
04/05/2015 18:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Christiane Amanpour é escolhida embaixadora da Boa Vontade da Unesco

A correspondente internacional da TV CNN, Christiane Amanpour, afirmou que "os jornalistas trabalham para fazer do mundo um lugar melhor". Ela fez a declaração após ser nomeada embaixadora da Boa Vontade para Liberdade de Expressão e Segurança dos Jornalistas.

arquivo pessoal

A correspondente internacional da TV CNN, Christiane Amanpour, afirmou que "os jornalistas trabalham para fazer do mundo um lugar melhor". Ela fez a declaração após ser nomeada embaixadora da Boa Vontade para Liberdade de Expressão e Segurança dos Jornalistas.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, concedeu esse título à Amanpour numa cerimônia que contou com a participação da diretora da agência, Irina Bokova, em Paris.

A Unesco reconhece os esforços de Amanpour para promover uma imprensa livre e independente com direito a trabalhar sem a ameaça de violência. Amanpour cobre crises internacionais desde 1990.

Nesta entrevista à Rádio ONU, a nova embaixadora da Boa Vontade falou sobre a importância do papel dos jornalistas como "pilares da reforma, da liberdade e da democracia", cujo dever é o de "fortalecer a sociedade civil".

Amanpour disse que houve um aumento das "situações perigosas" com a presença de grupos como o Estado Islâmico para o Iraque e o Levante, Isil, no Oriente Médio.

A jornalista é uma voz presente quando se fala da experiência de colegas relatando a situação em regiões em conflito. Esse foi o ponto de partida para a conversa com a Rádio ONU*.

Rádio ONU (RO): Christiane Amanpour, quanta responsabilidade está envolvida nas funções de um embaixador da Boa Vontade?

Christiane Amanpour: É uma grande responsabilidade. Isso acompanha o que eu venho fazendo na minha carreira, não apenas cobrindo notícias, apresentando meu programa noturno sobre assuntos internacionais e entrevistando líderes mundiais. Mas eu tenho falado em todas as oportunidades possíveis sobre a segurança dos meus colegas no terreno, sobre os direitos que eles têm de reportar com liberdade e sem intimidação e também sem que sejam feridos.

E num momento em que tantos colegas estão na prisão ou pior, quando são feridos ou assassinados, ou calados de alguma maneira, é muito, muito importante ter o apoio da comunidade mundial. Para que possamos dizer que isso não pode continuar com impunidade.

RO: Você já esteve em todos os cantos do mundo, reportando sobre muitos países em conflito. Você chegou a viver uma situação em que sentiu que seus direitos como jornalista estavam sendo ameaçados?

CA: Sim, a toda hora. Você sente que seu direito está ameaçado quando sua vida está ameaçada. Desde que comecei a cobrir guerras, crises, investigações sobre corrupção ou abuso de poder, isso começou a acontecer comigo desde 1990. E houve um acúmulo de perigo e de medo que todos sentimos quando vamos a muitos desses lugares. E agora isso obviamente aumentou com a selvageria do Isil contra tantos jornalistas e até contra civis comuns.

RO: Você acha que as mulheres jornalistas correm mais riscos do que os homens?

CA: Às vezes sim, porque as jornalistas enfrentam o medo extra e a ameaça adicional da realidade do abuso sexual. E isso é um outro motivo pelo qual estou honrada em ter esse papel (de embaixadora), porque as igualdades de gênero e de direitos também fazem parte da plataforma da Unesco.

RO: Por que você acha que tantos jornalistas continuam arriscando suas vidas para poder reportar sobre situações atuais?

CA: Porque eu realmente acredito que os jornalistas têm em seu coração a missão de tentar tornar o mundo um lugar melhor. Colocando uma luz sobre todos os cantos onde há abusos, e basicamente tentando defender os valores em que todos nós acreditamos, como ética, moral, liberdade, tolerância, liberdade religiosa, igualdade de gênero. Jornalistas estão na vanguarda da reforma em muitos países e viram que progressos foram feitos devido ao seu trabalho. Eu acredito que os jornalistas são parte vital da sociedade civil e que esse trabalho precisa ser protegido.

*Repórter: Stephanie Coutrix

*Tradução: Leda Letra .