OPINIÃO
01/06/2015 17:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:19 -02

Bombardeios, torturas e execuções: em um ano, 6 mil morreram na Ucrânia

ALEXANDER GAYUK via Getty Images
Women react near the coffin of Alexey Mozgovoy, leader of the so-called Prizrak (Ghost) brigade, during the funeral ceremony in the town of Alchevsk, some 40 kilometres (27 miles) from Lugansk. A separatist commander in eastern Ukraine was killed along with several other fighters after their car came under attack on May 23. AFP PHOTO / ALEXANDER GAYUK (Photo credit should read ALEXANDER GAYUK/AFP/Getty Images)

Apesar da "redução de bombardeios indiscriminados" na Ucrânia ocorrem sérios abusos e violações dos direitos humanos como execuções, tortura, prisões arbitrárias e ilegais.

O escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos cita ainda práticas como o tráfico humano. Esses problemas juntam-se à falta de justiça e da prestação de contas sobre as "ações que ocorrem" no terreno.

A lista de violações incluiu ainda a privação dos direitos sociais e econômicos que afeta 5 milhões de pessoas que vivem nas regiões de conflito, frisa o 10º relatório da Missão da ONU de Monitoramento dos Direitos Humanos na Ucrânia.

O documento regista 6.417 mortos no conflito do leste do país entre abril de 2014 e maio deste ano. Os feridos no período chegaram a 16 mil. O alto comissário para os direitos Humanos, Zeid Al Hussein, considerou esses cálculos "conservadores" e que os números reais "podem ser bem mais altos".

O documento frisa que a pausa nos bombardeios ocorreu depois de ter sido adotado o pacote de medidas para a implementação do Acordo de Minsk. Foi em fevereiro deste ano que a Ucrânia e a Rússia chegaram ao entendimento em negociações promovidas pelo presidente da França, François Hollande e pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

O desfecho foi o Pacote de Medidas para a Implementação do Protocolo de Minsk, que veio na sequência do pacto que tinha sido assinado na cidade bielorussa em 2014.

O alto comissário declarou que os grupos armados em operação no leste da Ucrânia continuam intimidando e perseguindo a população local.

Ainda em Genebra, o secretário-geral assistente para os Direitos Humanos afirmou que os rebeldes estão particularmente envolvidos nas alegações de abusos. Ivan Simonovic disse que a responsabilidade das forças armadas ucranianas está sendo colocada em dúvida.

Simonovic declarou que "os confrontos estão diminuindo e isso pode ser demonstrado pela redução do número de mortos".

Mas afirmou que "infelizmente o acordo de Minsk não está sendo implementado e que isso é muito ruim para a população da região a longo prazo".

Para Simonovic, "há várias provas de que armas sofisticadas e homens armados estejam entrando na Ucrânia vindos da Rússia, incluindo alguns militares".

O coordenador humanitário da ONU na região, Armad Harutyunyan, disse que não "há alternativa ao acordo de Minsk." Segundo ele, o movimento de "homens e armas entrando no país agora está no mesmo nível de antes do cessar-fogo".