OPINIÃO
29/09/2014 22:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Melhor experiência "artística" na Bienal teria sido pegar piolhos

Favaro JR./Flickr
@favarojr Ibirapuera - São Paulo <a href="http://www.favarojr.com.br" rel="nofollow">www.favarojr.com.br</a>

No tempo em que a Bienal de Artes de São Paulo ainda guardava certa semelhança com as feiras de ciência que a gente tinha na escola eu me animava a levar as crianças. Doravante já não sei.

Na volta do Ibirapuera, dentro carro, eu pensava em qualquer coisa menos no que tinha acabado de ver. Agora, em casa, descubro que o "tema" da mostra é "Como falar de coisas que não existem" ou algo mais ou menos por aí. Estou falando.

As coisas que não existem sempre foram para mim as mais interessantes. As coisas que não existem na Bienal acho que não entendi muito bem. O curador deve ser muito sofisticado.

Sempre me recusei a entrar nos labirintos, puxadinhos, tapumes para "vivenciar a experiência". Hoje entrei em cada um deles e temi contrair pediculose.

Tem, na sequência, um amontoado de grades e portões velhos e enferrujados, uma barraca de camping com cadernos e objetos pessoais, um quarto escuro com projeção de um vídeo tipo câmera de segurança de um nightclub, uma timeline na parede mostrando que o travestismo sempre existiu, fotos gigantes em sépia de marmanjos infratores coladas na parede, feixes de acetato reproduzindo documentos americanos pendendo do teto, um ambiente escuro com baratas, crânios e manifestos anticatólicos, uma projeção de vídeo manipulado que simula a implosão da igreja do Edir Macedo e depois corta para o Muro das Lamentações e finalmente um longo painel com pinturas (baseadas em fotos) de um bom português chamado Bruno Pacheco, caprichoso, mas enjaulado numa previsível agenda ideológica.

Não é que é precário. Tem um monte empresas grandes e bancos patrocinando. Mas, ao tentar reproduzir a precariedade e a pobreza, tudo naufraga na falta de repertório das dezenas de artistas infantilóides em seus projetos políticos e desleixados em suas intenções estéticas. A execução é pavorosa.

Não há choque, nada de provocação, zero ironia. Os "artistas" convidados se levam a sério e o que eu queria dizer a vocês, meus caros, é: não percam tempo com essas coisas que não existem.

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